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A UJS e o estereótipo do jovem imbecil.

Posted: 16 de Setembro de 2013 by Duke de Vespa in DCE Fatec, Fatec
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UJS_Festa
Hoje de manhã, enquanto me dirigia ao trabalho (dentro de um ônibus lotado, para variar…), resolvi acessar o meu Facebook com o intuito de me distrair um pouquinho, durante o trajeto entediante.

Entre um ou outro post, que tratam de assuntos tão diversos, que vão desde a balada do final de semana e a ressaca da segunda, até os conflito na Síria e na Palestina, li um post muito interessante, publicado no grupo da “extinta” Comissão Estatutária do DCE Fatec. Um aluno (que não vou citar o nome) reclamou que a assembleia de criação do DCE Fatec, ocorrida no último sábado, dia 14/09/2013, em Barueri-SP, parecia uma “peça de teatro” (de muito mau gosto, complemento eu). Esse aluno disse que durante a reunião viu“bandeiras de instituições bastante conhecidas por ceder aos encanto$$ do Governo Federal”, sendo pregadas nas paredes por “uma galera de muito bom humor que parecia estar indo a uma micareta”.

Outro aluno, que se dizia apartidário e portador de visão própria, revoltado com a observação do colega, saiu em defesa das tais instituições bastante conhecidas e soltou: “Fatecano é assim mesmo, POVO FESTEIRO QUE NÃO LEVA NADA A SÉRIO E É DA ZUEIRA!”

Interessante que essa publicação sintetiza perfeitamente a tática e a visão de mundo e de juventude do PCdoB e de seu braço jovem, a UJS. Recentemente, lendo uma notícia publicada no site vermelho.org.br, que trata da inserção do PCdoB na juventude, deparo-me com declarações, proferidas por um figurão do partido, do tipo “Nossa forma de organização se dá com o uso da linguagem do jovem. Se fizéssemos só a assembleia não reuniríamos mais de 100 pessoas”. Portanto, para atingir o público, a UJS realiza “assembleias durante festas fechadas em casas noturnas, com DJs e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas”.

Como não perceber o preconceito e a concepção estereotipada de juventude, embutida na visão de mundo das lideranças da UJS? Na cabeça oca do “socialista” da UJS, o jovem brasileiro (e por dedução lógica, o Fatecano também) não é nada mais do que um alienado, que despreza a política e o debate, que é incapaz de tratar de um assunto com seriedade e que não consegue se reunir para fazer outra coisa, que não seja encher a cara de cerveja numa balada. E já vou adiantando que não tenho nada contra balada e cerveja, aliás, sou totalmente a favor, mas isso não implica que não sei fazer outra coisa além de me divertir. Para tratar de assuntos importantes como educação, saúde, moradia, emprego, transporte e etc., não preciso de pão e circo em casas noturnas com DJs e outros atrativos.

Será que o jovem Fatecano quando vai disputar uma vaga de emprego, numa entrevista, se comporta como povo festeiro e da zoeira, que não leva nada a sério? Eu acho que não! Não por acaso, a UJS, PCdoB, UNE e companhia, foram rechaçados nas manifestações de rua ocorridas em julho. Por certo, a UJS ignora que segundo um estudo da Organização das Nações Unidas, realizada com dez mil brasileiros de 15 a 29 anos, mais da metade dos jovens brasileiros (51%) se interessam por política. E que para 43% dos jovens, a fonte de satisfação na vida é a família, seguido de saúde (26%) e emprego (8%). Diversão aparece no final da lista com 4% apenas. O que desmente cabalmente o preconceito das lideranças da UJS.

Lamentável, vergonhoso e decepcionante que colegas que se dizem socialistas libertários, tenham uma visão tão estreita e míope da juventude brasileira. Enfim, é esse tipo de gente, com esse tipo de pensamento grosseiro, que estará no comando do movimento estudantil Fatecano daqui pra frente. Com essas sementes, vai ser difícil brotar coisa boa desse chão!

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pt_hostilizado

A hostilização aos partidos políticos de esquerda, como o PSOL, PSTU, PCO e PT, e também aos movimentos sociais como a CUT, UNE, MST e o Movimento por Moradia, que acompanharam as mobilizações pela redução da tarifa desde o início dos protestos, nos faz pensar… Como chegamos nisso?

Infelizmente, a própria esquerda possui uma grande parcela de responsabilidade.

Historicamente, a esquerda brasileira sempre se embrenhou num divisionismo e numa fragmentação perigosa, para não dizer burra.

Os partidos de tendências mais radicais (como PSTU, PSOL, PCO e etc.), amplamente dominados por setores classe média, caíram no sectarismo universitário. Não conseguiram ir além de uma retorica velha e mofada, com ecos da Guerra Fria, num mundo de transformações rápidas e superficiais, onde tudo (ou quase) é descartável. Essa parcela da esquerda precisa urgentemente renovar o seu discurso, transcender os muros da universidade e pensar em novas formas de organização e mobilização.

A esquerda mais flexível e articulada, como o PT e PCdoB, fez concessões demais ao establishment, em nome da tal governabilidade. O PT se acomodou na poltrona do poder, perdeu o contato com as ruas, entrou de cabeça na disputa institucional, aparelhou e engessou além da conta os movimentos sociais, sindicatos e movimentos estudantis.

Depois de 10 anos no poder, o PT frustrou as expectativas desses movimentos e da parcela mais progressista da população, que ansiavam por transformações mais profundas no país. As transformações vieram, mas em marcha lenta, em ritmo de tartaruga. O PT optou pelo reformismo lento, sem grandes rupturas.

Como explicar o outrora valente MST, agora manso e dócil, diante de um governo que assentou menos famílias do que o seu antecessor de caráter neoliberal?

E por fim, faltou visão tática ao MPL. Essas manifestações já saíram debaixo do seu guarda-chuva há muito tempo. O MPL se deixou levar (conscientemente) pelo jogo golpista da mídia, pois sozinho, não colocaria mais do que três mil pessoas nas ruas. Será que as lideranças do MPL não suspeitaram de nada quando, em menos de uma semana, e após intenso apoio midiático, o número de manifestantes saltaram das cinco mil para 65 mil pessoas?

Fizeram o pacto com o demônio. E agora, estão sendo rechaçados nas redes sociais e, em breve, também nas ruas.

De resto, a única certeza é que a esquerda precisa se reinventar. Ou vai perder o bonde da história!

Porém, sobre os protestos, cabe perguntar, o que será daqui para frente? Só podemos conjecturar…

Na Espanha em 2011, deu no Partido Popular, nascido em berço fascista.

No Egito, após a “primavera” Árabe, deu num regime teocrático fundamentalista.

No Chile de Salvador Allende deu no Pinochet

Em 64 deu na ditadura…

E no Brasil agora, vai dar no que?

 

Leia também “Direita tenta abduzir manifestações!”

https://independentefatecsp.wordpress.com/2013/06/21/direita-tenta-abduzir-manifestacoes/