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“Estamos em greve!”, anuncia o site do SINTEPS – para quem não sabe, é o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza.

Essa não é a primeira vez, em minha jornada fatecana, que vivencio essa situação polêmica. Lembro-me que em 2011, ocorreu uma greve que paralisou parcialmente as FATECs e ETECs, ela durou cerca de um mês. Na época, os trabalhadores reivindicavam reajuste salarial de 58% para os professores, 72% para os funcionários e progressão de carreira para todos. O governo, como era esperado, foi bem menos generoso. Concedeu reajuste de 11%, progressão de carreira para professores de categorias iniciais, evolução funcional para os servidores com bom desempenho e fim de papo.

Atualmente, em 2014, as motivações para a greve não são muito diferentes. Além do reajuste salarial, o sindicato reivindica a implementação de um plano de carreira que possibilite aos funcionários e professores uma progressão salarial conforme o tempo de trabalho. Reivindicação justa!

A troca de acusações entre patrões e empregados, e a cortina de fumaça com o intuito de desviar a atenção, também fazem parte do jogo. Circula na internet, um obscuro e-mail dizendo que “os coordenadores de curso não poderiam entrar em greve, pois desempenham função essencial”. O Sindicato desmente e alerta, “Com o início da greve começa também uma guerra de informações, muitas delas distorcidas, com o objetivo de confundir e pressionar os trabalhadores”. O Centro Paula Souza, por sua vez, informa que “o anteprojeto que contempla as reivindicações [do Sindicato] é considerado prioritário e deverá ser encaminhado à assembleia legislativa já no início de março”. É a velha luta política. Ainda muita água vai rolar…

Porém a questão que eu coloco é a seguinte: Existe motivos para nós, estudantes, apoiarmos a greve?

Dúvidas

A resposta eu deixo para vocês decidirem. Porém, peço licença aos leitores para fazer algumas reflexões. Para mim, está claro que algo grave acontece nas FATECs e ETECs.

Sei que todo mundo já está careca de saber, mas é necessário dizer pela enésima vez, que a expansão do Centro Paula Souza foi conduzida de forma irresponsável. Ao que parece, o governo está mais preocupado com as belas estatísticas a serem exibidas nas campanhas eleitorais, do que com o oferecimento de uma formação superior de qualidade.

Diferente das outras universidades paulistas (nossas irmãs ricas?), nas FATECs e ETECs faltam bibliotecas, laboratórios, restaurantes universitários, salas de aula com recursos multimídia e espaços de convivência entre os alunos.

Da mesma forma, há pouco incentivo ao desenvolvimento de pesquisas. E aqui é preciso esclarecer um ponto: quando digo pesquisa, não me refiro, por exemplo, a investigação acadêmica sobre o surgimento do sistema solar ou sobre comportamento de partículas no universo subatômico. Refiro-me a pesquisa aplicada. Ao desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços, voltados ao mercado mesmo. Somente no Brasil, os cursos superiores de tecnologia são sinônimos de ensino barato, desvinculado de qualquer atividade criativa.

Também não há políticas de permanência estudantil. Não temos bolsas de ajuda de custo, nem alojamentos estudantis para alunos que moram longe. Em resumo, os problemas são antigos e a lista é enorme…

Uma consequência nada agradável da baixa remuneração dos professores e funcionários, é a pérfida bonificação por resultados. O governo, se aproveitando da situação caótica que ele mesmo criou, oferece prêmios em dinheiro aos trabalhadores das unidades que mais aprovarem alunos. Pouco importa se o aluno não obteve um desempenho satisfatório, o que interessa são números. Não é por acaso que recentemente foi divulgada uma pesquisa da Universidade Católica de Brasília, que apontou que mais de 50% dos universitários brasileiros sofrem com o analfabetismo funcional. “A conclusão é que muitos universitários entram na faculdade sem ter o hábito de estudo, aprenderam o conteúdo de forma superficial, costumam decorar ao invés de entender”, diz a pesquisa.

Portanto, motivos para revolta não faltam. Sei que muitos poderão me perguntar, “mas a greve não traz transtornos, não prejudica os alunos, não acarreta em reposição de aulas, etc.”? Sim, tudo isso também é verdade. Em curto prazo haverá alguns transtornos, mas a médio e longo prazo, poderemos conquistar muitos benefícios. Vai depender de nossa capacidade de mobilização e articulação. Como é mesmo aquele ditado? “Não é possível fazer omeletes sem quebrar os ovos”. E particularmente, acho que pensar somente em si mesmo, desconsiderando as precárias condições de trabalhos dos professores e funcionários, é egoísmo.

Não custa lembrar aos críticos de plantão, que a greve é um instrumento legítimo e democrático, assegurado pela Constituição Federal de 1988. No artigo 9º ela diz que “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.”.

Antes de concluir, mais uma informação: de acordo com o fechamento parcial do SINTEPS, nas assembleias realizadas nas unidades de FATECs e ETECs até o dia 15 de fevereiro, de 106 unidades, 68 aderiram totalmente à greve; quatro aderiam parcialmente; uma contou com a participação somente de funcionários; e 15 decidiram pela não paralisação. O restante, 18 unidades, ainda não decidiram ou não realizaram as assembleias.

Concluindo, a situação atualmente é essa. Como eu disse acima, muita água ainda vai rolar. Porém, espero sinceramente que essa greve traga benefícios a todos. Não apenas aos professores, funcionários e alunos, mas também a sociedade como um todo. As FATECs e ETECs têm um grande potencial para contribuir com desenvolvimento do Brasil e de São Paulo. Precisamos que o governo nos leve a sério e nos trate com dignidade e respeito.

A juíza Daniela Nudeliman Guiguet Leal, da 2ª Vara Cível da Comarca de Barueri, determinou a retirada de qualquer artigo publicado no blog “escolasempartido.org” e também de terceiros, que mencione a professora Cléo Tibiriçá, ou o curso por ela ministrado, sob o pagamento de multa diária de R$ 1000,00, a ser revertido em indenização em favor da professora.

Segundo a decisão judicial, existem indícios de que o coordenador do blog, Miguel Nagib está extrapolando o seu direito de manifestar sua opinião, ao veicular críticas ofensivas à professora.

Segue a decisão judicial na íntegra: decisao_judicial

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Entenda o caso:

A disputa entre a professora da Fatec Barueri Cléo Tibiriçá e o articulista do Instituto Millenium e também coordenador do blog “escolasempartido.org”, Miguel Nagib, teve início após a publicação no blog da denúncia de suposta doutrinação ideológica empreendida pela professora.

De acordo com Nagib, a professora promove em suas aulas a “maior aversão possível a tudo o que não se identifique com uma visão esquerdista ou progressista da sociedade, da cultura, da economia e da história”. Para fundamentar sua acusação, Nagib cita os texto utilizados no plano de ensino da professora, como as reportagens da revista CartaCapital e textos do historiador marxista Eric Hobsbawn, do sociólogo da USP Ruy Braga e do economista Fernando Nogueira da Costa. O blog também chegou a reproduzir uma troca de e-mails pessoais entre a professora e seus alunos.

Em sua defesa, a professora Cléo Tibiriçá afirma que “em educação não existe professor que não entre em sala de aula com a sua visão de mundo e não existe instituição de educação em cujo espaço não conviva diferentes visões, tanto na gestão, como nos docentes e nos alunos”.

As denúncias de Nagib geraram grande repercussão na internet. O caso foi noticiado em várias publicações, como a Revista Veja, Carta Capital e Revista Fórum. O Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), publicou uma “moção de repúdio contra perseguição à professora da Fatec”, onde classifica (aliás, muito bem classificado) de campanha “fascista e obscurantista do blog Escola sem partido“. O grupo Independente Fatec-SP também se orgulha de ter sido a primeira publicação a denunciar a cruzada difamatória de Miguel Nagib, e de associá-lo ao Instituto Millenium (entidade de extrema direita, ligada aos grandes conglomerados midiáticos). Vergonhoso porém, foi a atitude covarde do recém fundado DCE Fatec, que se silenciou sobre o caso.

Em recente entrevista à Revista Fórum a professora da Fatec desabafa “Minha vida se tornou um inferno, meu telefone não para de tocar em nenhum momento. Na Fatec, meus alunos tem falado muito sobre isso. Tenho visto meu nome envolvido com acusações das quais não posso me defender. Me chamam de marxista, meu Deus, peço desculpas aos meus amigos marxistas, isso é de uma ignorância tão grande, pois é tão difícil se encontrar um de verdade, e eu não sou. Tenho verdadeiro nojo das pessoas que tem me procurado anonimamente na internet…”.

Miguel Nagib provavelmente irá recorrer da decisão judicial. O fato é que a sociedade brasileira caminha para uma radicalização. Infelizmente, campanhas difamatórias empreendidas por publicações de extrema direita serão cada vez mais frequentes.

Republico aqui o artigo do blog ultraconservador “Escola sem Partido” a respeito da suposta doutrinação ideológica praticada pela professora Cléo Tibiriçá do curso Comércio Exterior da Fatec-Barueri.

O Artigo (o primeiro de uma série) é assinado por Miguel Nagib, coordenador do blog e articulista do Instituto Millenium (organização de extrema direita ligada à mídia tradicional e ao projeto político partidário do PSDB/DEM).

Nagib confunde deliberadamente, a utilização do instrumental teórico marxista (que é insuperável na denúncia das mazelas do capitalismo), com doutrinação partidária. Isso se admitirmos a premissa de que a professora da Fatec utilize apenas o instrumental marxista, o que obviamente não é verdade.

Leia também o excelente artigo do professor de história da UFT, Bertone Souza, sobre por que Marx ainda assusta os conservadores: http://bertonesousa.wordpress.com/2013/10/07/por-que-marx-ainda-assusta-os-conservadores/

Na realidade, Nagib está magoado com a professora, pois no seu plano de ensino não consta figuras como os direitistas Olavo de Carvalho, Luis Felipe Pondé, Reinaldo Azevedo e textos do Mídia sem Mascaras e dos manuais politicamente incorretos de Leandro Narloch. Ainda bem…

O Instituto Millenium diz promover os valores do “Direito de propriedade, liberdades individuais, livre iniciativa, afirmação do individualismo, meritocracia, transparência, eficiência, democracia representativa e igualdade perante a lei.”. Utilizando o mesmo critério de Nagib, não podemos também concluir que tais valores são igualmente doutrinação ideológica?

Onde está o DCE Fatec nessas horas? Vão se calar de novo, assim como fizeram no episódio das denúncias de coação na Fatec SCS????

Segue o texto na íntegra:

http://www.escolasempartido.org/universidades/424-doutrinacao-ideologica-na-fatec-de-barueri-1-parte

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Doutrinação ideológica na FATEC de Barueri – 1ª parte

O Escola sem Partido inicia, a partir de hoje, 22.11.2013, a publicação de uma série de artigos sobre as aulas ministradas pela Prof.ª Cléo Tibiriçá, na Faculdade de Tecnologia de São Paulo – FATEC. A publicação de cada texto será precedida do seu envio à professora (como ocorreu com o texto abaixo), a fim de que ela possa contestar nossas afirmações quanto aos fatos e exercer da forma mais ampla o direito de resposta. Além disso, enviaremos cópias dos artigos publicados ao coordenador do curso de Comércio Exterior da FATEC-Barueri, Givan Fortuoso, ao diretor da faculdade, Evandro Cleber da Silva, e ao Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Herman Jacobus Cornelis Voorwald. Não nos move nessa iniciativa nenhuma indisposição pessoal em relação à professora — que sequer conhecemos –, mas a convicção de que é necessário denunciar publicamente essa prática ilícita que é a doutrinação política e ideológica em sala de aula (para saber mais sobre o caráter ilícito da doutrinação, leiam o artigo “Professor não tem direito de ‘fazer a cabeça’ de aluno”).

*  *  *

Por Miguel Nagib

De acordo com o plano de ensino da Prof.ª Cléo Tibiriça — que dá aulas de Comunicação e Expressão na FATEC de Barueri-SP –, o objetivo de sua disciplina é “desenvolver nos alunos a capacidade e o rigor na leitura, interpretação e produção de textos (…).”

Mas, a julgar pelo material que seus alunos são obrigados a ler, assistir e debater, há mais alguma coisa que a professora está tentando “desenvolver” nos estudantes.

Dêem uma olhada e digam que coisa é essa:

– Prefácio do livro “A Era dos Extremos”, do historiador marxista Eric Hobsbawn;

– “Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá”, documentário de Silvio Tendler sobre o geógrafo “marxista não ortodoxo” Milton Santos;

– “Medíocres e Perigosos”, artigo do jornalista Matheus Pichonelli, publicado na revista Carta Capital;

– “Direitos Humanos para humanos direitos”, artigo do jornalista Matheus Pichonelli, publicado na revista Carta Capital;

– “Desassossego na cozinha”, artigo do sociólogo e militante do PSTU Ruy Braga, publicado no Estadão;

– “Procuram-se domésticas, Paga-se bem”, reportagem publicada no Estadão;

– “No Brasil a pobreza tem cor”, artigo do jornalista e vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro Roberto Amaral, publicado na revista Carta Capital.

– “Tinha que ser preto mesmo!”, texto do jornalista Leonardo Sakamoto;

– “O sonho do ministro Joaquim Barbosa”, artigo no qual o professor de História e presidente do INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial, Ramatis Jacino, acusa o Min. Joaquim Barbosa de ingratidão por não haver retribuído com seu voto no julgamento do Mensalão o “favor” de haver sido nomeado ministro do STF pelo PT;

– “Direita e esquerda – razões e significados de uma distinção política”, texto do economista Fernando Nogueira da Costa;

– “O dia que durou 21 anos”, documentário dirigido por Camilo Tavares, sobre a participação dos EUA no golpe militar que depôs o Pres. João Goulart;

– “Capitães de Abril”, filme sobre o golpe militar que pôs fim ao regime salazarista em Portugal;

– “Tanto Mar”, canção de Chico Buarque sobre o mesmo golpe;

Entrevista do filósofo Edgar Morin no programa Roda Viva;

– “Preconceito Linguístico”, livro de Marcos Bagno segundo o qual a norma culta é instrumento de opressão da classe dominante contra os pobres.

E então, alguma dúvida? Obviamente, não. O que a Prof.ª Cléo está tentando “desenvolver” nos alunos, a julgar pelo escandaloso viés ideológico do material adotado em seu plano de ensino, é a maior aversão possível a tudo o que não se identifique com uma visão esquerdista ou progressista da sociedade, da cultura, da economia e da história.

É o que veremos em detalhe na continuação da presente análise.

Continua

DIREITO DE RESPOSTA

Cientificada do conteúdo dos dois primeiros artigos da série dedicada ao exame de suas aulas na FATEC, a Prof.ª Cleonildi Tibiriçá nos enviou a mensagem abaixo, com cópia para os deputados estaduais Carlos Giannazi, do PSOL, e João Paulo Rillo, do PT. Trata-se, ao que parece, de um apelo não tão discreto à solidariedade dos companheiros. Faz sentido. 

Nossos comentários estão em azul (colchetes inseridos; negritos do original):

Em resposta a seu aviso de publicação de artigo em que veicula informações descontextualizadas e distorcidas sobre minhas aulas e minha correspondência particular com meus alunos – vale ressaltar que a simples publicização de informações circulantes em grupo fechado privado, sem previa autorização, já constitui irregularidade passível de responsabilização e penalidade previstas em lei [a professora se refere a  uma mensagem eletrônica por ela enviada aos alunos e que nos foi encaminhada por um dos destinatários; essa mensagem será objeto de análise no próximo artigo da série] –, venho notificá-lo de minha discordância e consequente desautorização da referida publicação, vinculando meu nome aos propósitos difamatórios do blog que o sr. coordena.

1 – A publicação desta série de artigos sobre as aulas da Prof.ª Cléo Tibiriçá na FATEC-Barueri não possui nenhum propósito difamatório. Trata-se, ao contrário, da crítica democrática e republicana a um aspecto específico da atividade por ela desenvolvida como docente de uma instituição pública de ensino (ainda que a instituição fosse particular, a prática docente não deixaria de ser pública por sua própria natureza). Nosso propósito exclusivo é expor e debater publicamente a prática adotada pela Prof.ª Cléo Tibiriçá no ambiente restrito e protegido da sala de aula. Obviamente, o ordenamento jurídico não confere a nenhum professor da rede pública ou particular de ensino o direito de manter sob sigilo o conteúdo de suas aulas.

2 – As únicas “informações” contidas no texto foram extraídas de documentos produzidos pela própria professora, a saber: o seu plano de ensino e a mensagem por ela enviada aos alunos (da qual se falará no próximo artigo). A professora não contesta a autenticidade desses documentos.

3 – O plano de ensino é um documento público, que ostenta nada menos que os timbres do Governo do Estado de São Paulo e do Centro Paula Souza. Já a mensagem enviada aos alunos — encaminhada ao email do ESP por um dos seus destinatários — não se qualifica como “correspondência particular”. Trata-se de orientação transmitida aos alunos sobre temas relativos às aulas ministradas pela professora na Fatec. Novamente, portanto, está-se diante de ato praticado no âmbito das atividades docentes da servidora pública Cleonilde Tibiriçá.

4 – Cabe à professora demonstrar que as informações veiculadas em nosso artigo foram “descontextualizadas e distorcidas”. Para isso, o ESP lhe assegura o mais amplo direito de resposta.

Primeiramente, dado que a questão me é dirigida como docente, e não como simples cidadã, quero salientar, antes de qualquer coisa, a ausência de legitimidade de seu blog para julgar conteúdos ministrados por mim ou por qualquer outro professor. O direito à liberdade de expressão lhe garante a divulgação de suas opiniões sobre qualquer coisa, mas serão sempre, e apenas, opiniões.

5 – Ao contrário do que afirma a professora, a legitimidade de nossa crítica provém justamente do fato de ser dirigida à sua atividade como docente, e não como cidadã.

6 – A servidora pública Cleonildi Tibiriçá — cujos salários são pagos pelos cofres públicos — não tem direito a que os atos por ela praticados no âmbito do sistema público de ensino fiquem imunes à crítica. No Estado Democrático de Direito, ninguém que atue na esfera pública tem esse direito. Até os ministros do Supremo Tribunal Federal podem ser criticados — e são criticados muitas vezes com extremo rigor — por sua atividade judicante.

Ainda que o sr. tenha assumido, perante seu grupo ou seu partido, o papel de paladino da educação brasileira, nem o sr. nem seu blog são órgãos fiscalizadores do Ministério da Educação, nem podem pretender agir como tal, arrogando-se autoridade legal para censurar o pensamento e a livre expressão. Por isso, causa estranheza sua ameaça de que a “publicação será feita, a menos que eu demonstre não serem verdadeiros os fatos” (tendenciosamente) articulados, em que se pressupõe que, além de “fiscal”, o sr. atribui-se a posição de “julgador” do que seja a verdade (e isso, logicamente, sob sua lente particular e enviesada).

7 – Engana-se a professora ao supor que sua atividade como docente está sujeita apenas à “fiscalização” do Ministério da Educação. “Nos países não empolgados pelo autoritarismo estatal — ensinava Nelson Hungria –, o exercício dos cargos públicos, criados para servir ao interesse público, não pode deixar de ficar exposto à censura pública, à sindicância dos cidadãos em geral”.

8 – É evidente, por outro lado, que nossa crítica nada tem a ver com censura. Na verdade, é a professora quem está pretendendo censurar a nossa crítica. Ou seja, ela nos acusa daquilo que ela mesma pretende fazer.

Além disso, sr. preclaro autoproclamado paladino das liberdades democráticas, antes de tudo, deixemos evidente que quem se declara “sem partido” como o faz o seu blog está se declarando, na verdade, a favor do partido que sempre quis ditar os rumos desse país. Portanto, para começo de conversa, é imperativo esclarecer que é desse lugar de desinteligência que entendo partir sua ameaça, de resto, tendenciosa e infundada.

9 – A professora nos filia ao partido da direita e reconhece, implicitamente, a sua filiação ao partido da esquerda, já que, a seu ver, é impossível não pertencer a um desses dois partidos. Assim, ao tentar deslegitimar a nossa crítica — vinculando-a aos interesses do partido que “sempre quis ditar os rumos desse país” –, a professora assume de forma inequívoca a mesma identidade ideológica do seu plano de ensino. 

10 – Não existe, de nossa parte, nenhuma ameaça. O que existe é a denúncia de uma prática ilícita. E essa denúncia nada tem de tendenciosa ou infundada, como se vê do plano de ensino da professora.

Não pretendo perder meu tempo com excrescências de corte fascista, mas, como advogado que é, o sr. deve saber que devo notificá-lo, para alertá-lo sobre as consequências de sua não observância de minha desautorização. É assim que, ciente de meus direitos como cidadã e docente, bem como do que determina a Constituição Federal, notifico em resposta minha discordância e desautorização diante do que considero uma afronta de sua parte, passível de reparação nos termos da lei. Sem a menor intenção de dar-lhe qualquer explicação, mas a título de ressaltar fatos elementares, amplamente conhecidos, recordo-lhe que a autonomia didático-pedagógica assegurada às Instituições de Ensino confere à FATEC o poder-dever de determinar os programas de ensino da Instituição, conforme o artigo 207 da Constituição Federal: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”

Como professora contratada pela FATEC por meio de concurso público, igualmente me é assegurada a autonomia para, dentro de minha área de especialidade, definir o plano de ensino no formato em que julgar que deva sê-lo.

11 – Vejamos: doutrinação política e ideológica em sala de aula é prática comum em regimes totalitários, sejam fascistas, nazistas ou comunistas. Se o ESP se opõe a essa prática, como pode ser tachado de fascista?

12 – A essência da nossa proposta jurídico-pedagógica está resumida no cartaz com os Deveres do Professor, cuja afixação nas salas de aula a partir do ensino fundamental constitui a principal bandeira do ESP. Lê-se no cartaz:

1. O professor não abusará da inexperiência, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para esta ou aquela corrente político-partidária, nem adotará livros didáticos que tenham esse objetivo.

2. O professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, religiosas, ou da falta delas.

3. O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.

4. Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.

5. O professor não criará em sala de aula uma atmosfera de intimidação, ostensiva ou sutil, capaz de desencorajar a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus, nem permitirá que tal atmosfera seja criada pela ação de alunos sectários ou de outros professores.

13 – É isso que a Prof.ª Cleonildi chama de “excrescência de corte fascista”?

14 – A autonomia didático-pedagógica assegurada às universidades não dá aos professores o direito de usar a sala de aula para “fazer a cabeça” dos alunos. Isso, repito, é coisa de regime totalitário, onde não existe liberdade de consciência.

15 – O professor não pode se aproveitar do fato de o aluno ser obrigado a frequentar suas aulas para forçá-lo a escutar e estudar uma pregação política e ideológica. Se o fizer, estará violando, a um só tempo, a liberdade de consciência e a liberdade de aprender do estudante (arts. 5º, VI, e 206, II, da Constituição Federal).

16 – Conforme decisão recente do Tribunal Supremo da Espanha, fundada em princípios jurídicos que também são adotados pela Constituição brasileira,

“O Estado não pode incorrer em qualquer forma de proselitismo ideológico.

As matérias que o Estado qualifica como obrigatórias não devem ser pretexto para tratar de persuadir os alunos sobre ideias e doutrinas que reflitam tomadas de posição sobre problemas a respeito dos quais não existe consenso generalizado na sociedade espanhola.

Em uma sociedade democrática, nem o Estado, nem as escolas, nem os professores, podem se erigir em árbitro de questões morais [e também de questões políticas e ideológicas] controvertidas.

Estas questões pertencem ao âmbito do livre debate na sociedade, e não existe livre debate na relação vertical entre professor e aluno.”

Isso seria o bastante para apenas ignorar sua ameaça (e é disso que se trata, já que, salvo melhor juízo, não há qualquer embasamento científico que confira ‘foros’ de ‘parecer’ àquilo que, a despeito de ser livre exercício de manifestação de pensamento, é apenas tentativa de calar o que vai de encontro àquilo que o “partido” – seja lá qual for – da “escola sem partido” crê deva ser posto em debate); todavia, ameaças desse tipo, por mais inócuas que pareçam, não podem ser ignoradas. O sr., seus chefes e seus seguidores são adultos que devem assumir a responsabilidade pelas ações persecutórias que desencadeiam e suas consequências. E é o que acontecerá – o sr., seus chefes e seus seguidores responderão judicialmente caso tentem vincular meu nome à sua campanha de bullying ideológico.

17 – Como resta claro de sua resposta, é a professora quem está ameaçando o ESP, não o contrário. De nossa parte, o que desejamos é que a Prof.ª Cléo perceba o erro que está cometendo ao usar suas aulas para tentar “fazer a cabeça” dos alunos; e se emende desse erro. Ou, se isto não ocorrer, que seja impedida por seus superiores hierárquicos ou pelos próprios alunos de usar a sala de aula para fazer proselitismo político e ideológico.

18 – Bullying ideológico é o que faz a professora com seus alunos ao obrigá-los a ler e debater os artigos de Matheus Pichonelli e companhia.

Posto isso e neste sentido é que deve seu blog – que considero um instrumento pernicioso de desinformação e desrespeito às liberdades democráticas – abster-se de publicar qualquer artigo com meu nome. Como advogado, o sr. deve conhecer o artigo 20 do Código Civil – que fiz constar na epígrafe desta carta-notificação –, onde se lê que:

“Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.”

Não é preciso grande esforço argumentativo para evidenciar que a mera citação de meu nome em qualquer publicação veiculada por seu blog incorreria em todos os aspectos previstos pelo referido artigo, tendo em vista que meu currículo de profissional graduada e pós-graduada pela melhor universidade da América Latina, pesquisadora atuante, pela mesma instituição, em grupo devidamente credenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), bem como minha irrepreensível conduta profissional como professora de ensino médio, técnico e superior de instituições educacionais públicas e privadas de reconhecido prestígio, garantem-me a honra, a boa fama e a respeitabilidade que seu tacanho projeto ideológico visa comprometer e a cuja preservação fica-me garantido o direito pelo já citado artigo 20 do Código Civil.

19 – O ESP não tem fins comerciais. Estamos nessa luta por amor ao conhecimento e à verdade.

20 – O art. 20 do Código Civil não prevalece sobre as liberdades de expressão e de informação, ambas asseguradas pela Constituição Federal. Bem por isso, ele é objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.815.

21 – Se a honra, a boa fama ou a respeitabilidade da Prof.ª Cléo forem lesados, isso terá ocorrido por força, unicamente, da divulgação de seus próprios atos. O mais provável, no entanto, é que ela seja tratada, no seu meio, como heroína da causa esquerdista.

22 – “Projeto ideológico” é o que a professora desenvolve em suas aulas na FATEC, às custas dos contribuintes do Estado de São Paulo. O projeto do ESP, bancado integralmente com os nossos próprios recursos, é anti-ideológico, como deixa claro a simples leitura do cartaz com os Deveres do Professor.

Sendo, por ora, o que tenho a notificar, finalizo por registrar meu mais profundo sentimento de honra por saber-me listada entre os desafetos de seu grupo. Em minha humilde prática docente, é motivo de imensurável orgulho ser objeto da sanha persecutória do “partido” da “escola sem partido”, ao lado de autores e educadores, eles, sim, dignos de reconhecimento e respeito.

22 – Ora, se a professora está honrada e orgulhosa pelo fato de sua prática docente ser objeto de nossa crítica, ela não tem do que reclamar.

Atenciosamente,

Cleonildi Tibiriçá

O grupo Independente Fatec-SP republica outro artigo de um estudante da Fatec São Caetano do Sul, à respeito da apuração das denúncias de coação na faculdade durante o preenchimento do WebSAI. Reiteramos que por questões de segurança, manteremos o nome do aluno em sigilo. Segue o texto:

Coordenadora é apontada como responsável por coação de alunos na Fatec São Caetano do Sul

Hoje, precisamente às 10h50min da manhã, a representante do corpo discente, Maria Tereza, publicou uma nota expondo o que foi discutido entre ela e a diretora sobre o caso ocorrido nos dias 8/11 e 9/11 na unidade de São Caetano.

A reunião aconteceu no período da noite e, segundo a representante, foram levados inúmeros depoimentos de alunos que foram coagidos pela coordenação e seus funcionários a responderem o WebSAI, para que assim, tivessem o direito de entregar seus TCC´s.

A diretora da unidade, Dr. Adriane Monteiro Fontana, pediu desculpas a representante e disse que somente havia dado ordens para que os alunos fossem convidados a responder o SAI. A diretora ainda expôs que fez um levantamento com seus funcionários e pode apurar que a Coordenadora de Cursos e professora Dr. Maria Márcia Matos Pinto foi a responsável por ignorar as ordens da direção e coagir funcionários e alunos, para tornar o questionário WebSAI obrigatório.

Segundo a postagem da representante discente no facebook, ficou decidido que:

“Para que a penalidade ocorra de forma que os envolvidos não possam recorrer de maneira alguma, a diretora seguiu hoje para o Centro Paula Souza a fim de se orientar sobre como deve ser feito o processo de punição e em qual se encaixa (isso tudo dentro da instituição). Deu-nos a data do dia 20 de Novembro como limite para uma resolução e retorno a esta que vos fala sobre como se dará a punição.

Falou também que falará com os alunos que passaram por este evento para se desculpar pessoalmente além de garantir que não acontecerá mais nada nem parecido e que o responsável será punido.

Ela também falará com os funcionários, não para puni-los, mas para reiterar que qualquer dúvida que eles tenham sobre ordens que não foram dadas por ela que procurem-na imediatamente ou não as cumpram até que possam falar com ela. Tirar toda e qualquer dúvida antes a fim de evitar situações desgastantes e constrangedoras como essa.

Também ficou decidido que não será mais avisado sobre o WebSAI nas salas, a única coisa que acontecerá é em caso de aulas no laboratório o professor pode liberar alguns minutos para responder. Isso e somente isso.”

Gostaria de terminar este relato com um desabafo, pois estou muito contente com a reação dos alunos no caso. Já passou da hora dos alunos e professores desta unidade exporem os podres que acontecem lá dentro. Desde os casos menores aos casos maiores, devem sim ser denunciados aos órgãos competentes.

Para quem ainda tem dúvidas da gravidade do problema, faz-se necessário à referência a lei, pois o artigo 151 do código civil expõe:

Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens.

Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.

Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela.

Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial.

Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos.

Porém, dado o cargo exercido pela prof Márcia Matos, talvez fosse mais adequado citar este artigo:

Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder;

Seguimos com fé na promessa de que o episódio não irá se repetir, e ainda, que muitas outras denúncias sobre a conduta dos professores desta unidade virem à tona, pois agora, os alunos sabem de fato que canais usar para impor medo naqueles que regem, dirigem, e lecionam usando medo.

O grupo Independente Fatec-SP recebeu ontem, uma denúncia de um aluno da Fatec São Caetano do Sul (cujo nome, por questões segurança manteremos em sigilo), referente à coação de alunos, pela direção da faculdade, para que respondam o WebSAI.

O WebSAI é o programa de avaliação institucional do Centro Paula Souza. Para mais informações sobre o programa e o que há por trás dele, veja o post:
Centro Paula Souza pagará bônus para as Fatecs que mais aprovarem alunos

Segue abaixo o relato do aluno da Fatec SCS:

Alunos da Fatec São Caetano do Sul são coagidos a responder o WebSAI com ameaças e proibições.

Nesta segunda semana de novembro encerra-se o prazo para a entrega dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) da Fatec SCS. Em paralelo, a pesquisa do WebSAI segue coletando informações sobre a satisfação dos alunos e funcionários sobre a unidade.

Como garantia de que todos os alunos responderiam o WebSAI, a coordenação foi orientada por professores e por sua supervisão a não aceitar, em hipótese alguma, a entrega das monografias de alunos que não tivessem respondido a pesquisa. Caso o aluno afirmasse que sim, as funcionárias pediam que fosse mostrado o protocolo gerado pela resposta da pesquisa.

Durante todo o dia, alunos de curso superior foram tratados como menores incapazes do ensino médio, sem a opção de abster-se da pesquisa. É duro acreditar que uma pesquisa que visa coletar a opinião dos alunos acerca da instituição seja tratada com tamanha infantilidade e falta de ética, por parte de parte de profissionais que se julgam aptos a ensinar. Os relatos de abuso são ainda mais graves nos cursos da tarde. Houveram relatos de alunos que foram ameaçados de terem suas notas rebaixadas caso se recusassem a responder a pesquisa.

Se existe uma falta de interesse em responder a pesquisa, obviamente esta não é a melhor opção de tratá-la. A importância do WebSAI como ferramenta administrativa é explícita, mas as práticas criminosas do episódio fazem crer que talvez exista algum interesse além da qualidade do ensino. Já passou da hora dos alunos consentirem-se que, dado o ingresso na instituição de caráter superior, não são obrigados de maneira nenhuma a acatar restrições que não estejam explicitamente descritas no regulamento do Centro Paula Souza ou da unidade.

Não estamos dentro de um feudo, e sim, de uma instituição de ensino que preza pro sua qualidade, por seus alunos, por seus funcionários e acima de tudo, pelo comportamento ético e respeitoso.

Reportagem sobre as Eleições do DCE Fatec 2013

Posted: 6 de Novembro de 2013 by independentefatecsp in Cotidiano
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Registro das primeiras eleições do DCE Fatec.

Sobre a criação e eleições do DCE Fatec
O Diretório Central dos Estudantes das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (DCE Fatec), foi criado de modo autoritário e antidemocrático em Setembro de 2013, em assembleia geral realizada na Fatec Barueri (leia mais sobre, aqui e aqui). No início de novembro ocorrerão as primeiras eleições para a diretoria executiva do DCE.

Depois da lambança que fizeram na construção do DCE, o próximo passo será dominá-lo completamente. E logo em seguida, os próximos serão os C.A.s, D.A.s e Atléticas. Não sobrará pedra sobre pedra. A UJS está vindo com tudo pra cima das Fatecs em nome dos interesses partidários mais nefastos.

A chapa CONECTE-SE é filha legítima da UJS. Com seu discurso pronto, cheio de palavras bonitas e sotaque jovem, enganam muitos fatecanos de boa vontade e com desejo sincero de transformações, porém, ingênuos quanto às reais intenções da UJS. O fatecano de primeira viagem não percebe, por falta de experiência, que a CONECTE-SE veio para engessar, pelegar e burocratizar o natimorto movimento estudantil fatecano. É a cereja do bolo da UJS.

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Mas afinal, quem é UJS?
A UJS, para quem não sabe, é o braço jovem do PcdoB, e detém o controle da UNE, entidade que há muito tempo NÃO representa o movimento o estudantil. Recentemente a UNE/UJS apoiou o limite de somente 40% das meias-entradas em troca do monopólio lucrativo das emissões de carteirinhas estudantis. Ou seja, o estudante que quiser pagar meia-entrada, terá que adquirir a carteirinha da UNE.
A presidente da UNE, Virgínia Barros (“Vic”) chegou a dizer que essa negociata ampliou o espaço de participação do jovem e o colocou como “protagonista da política”.

UJS expulsa de universidades públicas
No comando da UNE desde 1991, as políticas estudantis da UJS são desastrosas. Por isso, foram expulsos com louvor das três universidades públicas paulistas, USP, Unicamp e Unesp, e também da UNIFESP. Inconformada, A UJS tenta agora, fincar suas garras no movimento estudantil fatecano. Suas táticas são as mesmas de sempre: compra de lideranças, promoção de festinhas, distribuição de cargos, financiamento de eventos esportivos, e por aí vai… Um dos figurões do partido, explicou no site vermelho.org.br como a UJS organiza seu movimento:

“Nossa forma de organização se dá com o uso da linguagem do jovem. Se fizéssemos só a assembleia não reuniríamos mais de 100 pessoas… As assembleias (acontecem) durante festas fechadas em casas noturnas, com DJ’s e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas”.

Outro dia, um militante da UJS soltou essa no grupo do DCE Fatec do Facebook:

“Fatecano é assim mesmo, POVO FESTEIRO QUE NÃO LEVA NADA A SÉRIO E É DA ZUEIRA!”.

Ou seja, os dirigentes da UJS têm verdadeiro desprezo pelo jovem brasileiro. Consideram-no um imbecil útil disposto a votar e ser liderado pela “vanguarda iluminada”.

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Mas o que a UJS quer?
A UJS, como já mencionado, detém o controle da União Nacional dos Estudantes (UNE), e compõem as bases de apoio dos governos federal e municipal, ao lado de partidos como o PMDB (do Sarney) e PP (do Maluf).

O consorcio UJS – PCdoB é abrigo de vários políticos notáveis, como o ex-ministro dos esportes e ex-presidente da UNE, Orlando Silva (demitido do ministério após envolvimento com corrupção) e o ex-ministro do meio ambiente, Aldo Rebelo (relator do novo código florestal, que facilita o desmatamento e garante a impunidade de fazendeiros que durante décadas desmataram suas terras de forma ilegal).

Políticos da extirpe de José Dirceu, condenado no Supremo por comandar o esquema do mensalão, também apoiam e incentivam as atividades da UJS.

Aldo Rebelo - militante do PCdoB, ex-ministro do meio ambiente e relator do código florestal. Reparem na camisa.

Aldo Rebelo – militante do PCdoB, ex-ministro do meio ambiente e relator do código florestal. Reparem na camisa.

Para garantir e perpetuar seu domínio sob a UNE (o que permite acesso às volumosas verbas do Governo Federal), a UJS precisa controlar o maior número possível de diretórios acadêmicos de Faculdades e Universidades pelo país afora.

Nesse sentido, o controle do DCE Fatec é estratégico, uma vez que somos mais de 65 mil alunos espalhados por todo estado de São Paulo. Porém, esse não é o único interesse da UJS pelas Fatecs.

No ano que vem (2014) haverá eleições para Presidência da República e Governo do Estado. E a expansão das Fatecs e Etecs é a principal vitrine do governo tucano para a educação pública.

Estando a UJS na oposição, ela pretende lançar “por dentro”, uma campanha de desconstrução da propaganda do governo estadual, o que a princípio, não é ruim. O ruim é saber que nessa disputa, o que menos importa são os interesses do fatecano. Para essa classe política e oportunista, o que vale são as verbas públicas e o controle da máquina estatal.

Primeira eleição do DCE Fatec
As primeiras eleições para a diretoria executiva do DCE ocorrerão dos dias 04/11 a 07/11, em todas as unidades das Fatecs. Foram inscritas duas chapas para o pleito. A chapa “CONECTE-SE”, filha da UJS, apresentou 392 membros durante o processo de inscrição, enquanto que a chapa “Outros Junhos Virão”, apresentou apenas 23.

Qual a razão desse desnível tão grande? Quem será o verdadeiro dono do poder político e econômico nessa história?

É preciso repudiar a presença da UJS nas Fatecs. Não será através de grupos políticos oportunistas que conquistaremos as transformações que as Fatecs tanto necessitam.

As manifestações de junho nos ensinaram que a luta pode ser organizada de outras maneiras, para além das instituições tradicionais. O mundo contemporâneo demanda novas formas de participação política, em redes, espontâneas e descentralizadas, ao mesmo tempo em que rejeita estruturas burocratizadas e verticais.

Em outras palavras, a questão que se coloca neste instante é a seguinte:

Vamos entregar a Fatec, repetindo os velhos erros da política nacional?

Desconectar é preciso.

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O Centro Paula Souza (CEETEPS) irá pagar uma bonificação a professores e funcionários das Fatecs, que mais tiverem alunos aprovados. Também serão considerados os resultados obtidos no Sistema de Avaliação Institucional, o WebSAI.  

A Assistente de Planejamento Estratégico do CEETEPS, Glaucia Regina Manzano Martins, esteve nessa última terça feira (01/09/2013), na Fatec-SP, esclarecendo a comunidade acadêmica sobre as novas condições para o pagamento da Bonificação por Resultados. Segundo a funcionária, haverá algumas alterações nos critérios da avaliação do ano que vem (2014). Os professores e funcionários das unidades de Fatecs que aprovarem o maior número alunos e obtiverem os melhores resultados no WebSAI, poderão receber um bônus de até 2.9 vezes o salário. De acordo com a Assistente de Planejamento do CEETEPS, o índice de aprovação é um critério objetivo que pode ser utilizado para medir a eficácia do aprendizado.

Contrariando essa posição, professores e funcionários das Fatecs argumentam que o equívoco dessa política de incentivo, é condicionar o pagamento da bonificação por resultados, a quantidade de alunos aprovados. O então diretor interino da Etec Getúlio Vargas, numa matéria publicada na Revista Carta Capital, em maio de 2011, afirma que O governo tem todo o interesse de que o número de formandos seja o maior possível, porque a repetência gera mais gastos para o sistema”, e continua dizendo que “Por trás dessa política de bonificação, há, porém, uma estratégia de ‘forçação de barra’, de aprovar aluno a qualquer custo, mesmo que ele não tenha desempenho satisfatório. Além disso, a evasão escolar e o déficit de aprendizagem não dependem apenas do docente. Normalmente estão associados a outros fatores externos à escola, como problemas familiares ou necessidade de trabalhar”. [1]

Seguindo a mesma linha de pensamento, o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (SINTEPS), em nota publicada na internet, afirma que os critérios para o pagamento do bônus são extremamente injustos, pois “a maioria não depende dos esforços dos trabalhadores e guarda relação com a infraestrutura, ou seja, é de responsabilidade do governo: laboratórios precários, bibliotecas mal equipadas, falta de funcionários e professores e vários outros”. O sindicato também publicou em abril, uma “Moção de repúdio a política de bônus do CEETEPS. Por uma política salarial que valorize os trabalhadores e docentes! Não à precarização dos serviços públicos!”. [2]

É importante lembrar que o modelo da aprovação automática já existe desde meados da década de 90, nas escolas da rede pública estadual. O resultados são desastrosos. O analfabetismo funcional disparou e déficit em matemática chega a níveis preocupantes. Segundo a Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura -, o analfabeto funcional sabe escrever seu próprio nome, assim como ler e escrever frases simples, até efetua cálculos básicos, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades do dia a dia.

Para saber mais, leia o post Centro Paula Souza zomba do trabalho dos profissionais das FATECs e ETECs.

Como funciona a Bonificação por Resultados? [3]

No caso das Fatecs, a Bonificação por Resultados será paga de acordo com os resultados obtidos no Índice de Desenvolvimento do Ensino Técnico e Tecnológico do Estado de São Paulo (IDETEC-SP). O IDETEC é um indicador composto pela média ponderada de cinco indicadores: Processo (30%), Situação do egresso (20%), Benefício (20%), Produtividade (20%) e Reconhecimento de cursos pelo Conselho Estadual de Educação (10%). Para que haja o pagamento do bônus, as unidades deverão atingir as metas estipuladas para cada indicador. Abaixo segue uma breve descrição de como funciona cada um dos cinco indicadores:

  1. Processo, avalia através do WebSai o desempenho Pedagógico de alunos e professores, gestão, CUSTO POR ALUNO (quanto menor o custo do aluno melhor) e índices de assiduidade. [Corresponde a 30% da meta geral]
  2. Situação do egresso, avalia através do WebSai a empregabilidade dos ex-alunos de cada Fatec. [Corresponde a 20% da meta geral]
  3. Benefício, avalia através do WebSai o grau de satisfação, o nível de atendimento das expectativas e avaliação do curso por alunos e professores de cada Fatec. [Corresponde a 20% da meta geral]
  4. Produtividade, será calculado pela razão do número de ALUNOS APROVADOS por disciplina em cada período e do número de matrículas por disciplina em cada período. [Corresponde a 20% da meta geral]
  5. Reconhecimento de cursos pelo CEE (Conselho Estadual de Educação). O nome é auto explicativo, para atingir essa meta é necessário que o curso oferecido pela unidade seja reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação. [Corresponde a 10% da meta geral]
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[3] As informações foram extraídas do Diário Oficial do Estado de São Paulo, Caderno Executivo I, 28/03/2013, página 3.

No início deste ano, durante as férias de janeiro, formulei alguns questionamentos aos professores do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), da FATEC-SP, sobre o mercado de Tecnologia da Informação (T.I.) no Brasil.
Na época, havia tomado conhecimento de uma pesquisa, desenvolvida pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (BRASSCOM), sobre a realidade, nada agradável (bastante aterradora, eu diria) do mercado de T.I. brasileiro.
O chefe do DTI, o Prof.º Dr. Marcelo Duduchi Feitosa, foi muito solicito e respondeu prontamente todas as questões por mim levantadas.
Aproveitando que agora temos um blog, acho oportuno divulgar esse interessante debate.

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ALUNO FATECANO PERGUNTA:

Caros professores, nesta semana eu tomei conhecimento de uma pesquisa que me deixou preocupado. Acho que esse é um assunto muito importante, e sem dúvida, do nosso interesse. Gostaria que alguém comentasse.

A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (BRASSCOM) publicou recentemente um estudo sobre o mercado de T.I no Brasil. Os resultados são preocupantes… A média salarial de um analista de sistemas (a maior remuneração!!!) no Brasil é de R$ 2.862,00, sendo que em São Paulo fica em torno dos R$ 2.950,00. Um analista de suporte computacional (o pior remunerado) tem o rendimento de R$ 1.867,00 em São Paulo. Em outros estados a situação é ainda mais crítica!

Outro dado alarmante, diz respeito a relação entre a oferta de vagas nas instituições de ensino e o número de concluintes. Para se ter uma ideia, apenas em São Paulo, das 76.459 vagas ofertadas (média do triênio de 2007 à 2009) apenas 10.174 foram concluídas. Ou seja, temos uma evasão em massa de 87%! Será verdade que realmente falta mão de obra qualificada, que os profissionais de T.I recebem os maiores salários, que a carreira é excelente e etc.? Esse estudo demonstra que a realidade não é bem assim.

Percebo que as maiorias das empresas não desenvolvem ou criam novas tecnologias. Elas somente operam as tecnologias já existentes. Por exemplo, alguém que trabalha com segurança da informação, na prática ele vai apenas controlar acesso a diretórios, definir perfis de rede, bloquear pacotes através do firewall, bloquear sites com o Proxy e fazer varredura com antivírus. Ou seja, o profissional irá operar softwares prontos, que fazem todo o trabalho. Não é necessária muita qualificação para desempenhar essas atividades. Em outros segmentos do mercado a realidade é bastante parecida. Então, se montarmos uma equação, teremos: Profissão não regulamentada + baixa qualificação + sindicatos fracos = baixos salários e subempregos (terceirizações e regime PJ). Será essa é a realidade do setor? Segue anexo o resumo do estudo da BRASSCOM:

Aluno Fatecano.
Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) – Noite.

RESPOSTA DO PROFESSOR DR. MARCELO DUDUCHI FEITOSA:

Prezado Aluno Fatecano,

Pode se tranquilizar e curtir suas férias.Acho que existe um probleminha em sua análise. A tabela citada de salários não é a média de todos os salários e sim média de salários admissionais. Veja as informações divulgadas pela Info sobre salários da área no link abaixo:
Tabela de Salários de T.I. – Info

Para um curso como o nosso que é conceito máximo no ENADE até estagiários estão ganhando os valores indicados por você. Além disto, pode verificar nos gráficos que a demanda é sempre muito superior à oferta e por isso o mercado em nossa área tende a estar aquecido por muito tempo. A reportagem do Estadão em que nosso aluno saiu (link abaixo) em 2011 fala sobre 90 mil vagas em aberto e prevê carência de 200 mil em 2013:
Déficit de Profissionais de T.I. – Estadão

Para 2020 segundo a própria BRASSCOM a previsão é de falta de 750 mil profissionais na área.
Falta de Profissionais de T.I. para 2020 – BRASSCOM

Neste cenário não acredito existirem baixos salários.A qualidade do aluno formados e evasão que você citou realmente é preocupante e temos que combatê-la. Dos quase 250 cursos de ADS que participaram do ENADE só 15 tiveram conceito 5 (máximo) como nós. Além disto nós fomos o único curso de ADS a tirar conceito 5 com mais de 100 alunos. Os poucos IFs que tiraram conceito máximo como nós tinham em média 10 alunos participando da prova. Todos os outros com exceção da UFF (com 77 alunos) tinham menos de 30 participando.No nosso curso portanto não estou muito preocupado com isto, pois fizemos o último ENADE com 129 prováveis formandos! Além disto, mesmo tendo disciplinas optativas cujo conteúdo é efetivo no ENADE, o que estamos corrigindo, conseguimos obter conceito máximo! Certamente conseguiremos ainda melhores resultados no futuro!

Ao menos em nossa área, também não concordo que não se produza tecnologia de ponta. É certo que há muito a ser feito, mas a maioria de nossos alunos em final de curso está atuando em desenvolvimento e suporte a desenvolvimento de software. Temos empresas despontando em desenvolvimento tecnológico e competindo até lá fora. Além disto várias empresas não nacionais tem desenvolvido tecnologia em nosso país. É muito interessante ver a IBM inaugurando laboratórios de pesquisa no Brasil e contratando pesquisadores daqui para atuar nele em tecnologia de ponta como a profa. Marcia Ito aqui do nosso departamento por exemplo. Vale ressaltar que nossos alunos já estão sendo chamados para atuar lá também…Também não gosto muito de alguns itens considerados na sua equação como “profissão não regulamentada” e “sindicatos fracos”. O verdadeiro objetivo dos conselhos regionais que vem da regulamentação da profissão deveria ser proteger a sociedade dos maus profissionais e não gerar “reserva de mercado” para formados na área como tentam fazer hoje. Sabemos também que boa parte dos sindicatos por ai também não cuida de nada a não ser de seu próprio interesse funcionando como trampolim político.Prefiro dizer que a nossa realidade aqui na FATEC-SP ontem, hoje e no futuro tende a ser:

Alta qualificação especializada + Muita falta de profissionais em TI = Grandes oportunidade profissionais.
Curta suas férias despreocupado…Abraços a todos e bom resto de férias! Estarei curtindo as minhas e, por isto, estarei incomunicável por alguns dias.Saudações Universitárias!

Marcelo Duduchi.

 

Saiu no site da União Nacional dos Estudantes (UNE) uma nota recheada de mentiras sobre a fundação do DCE Fatec, ou DCE da UJS, como dizem alguns. Esse assunto sobre o DCE já está tão batido e a UNE/UJS já foi desmascarada tantas vezes, que não vale a pena nem publicar mais um post. Porém, como eu adoro desmascarar pelegos governistas, não vou deixar passar essa em branco. A nota segue abaixo junto com meus comentários, que estão em negrito. 

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ESTUDANTES DA FATEC FUNDAM DCE EM CONGRESSO INÉDITO

“No último dia 14/9, cerca de 120 pessoas se reuniram no 1º Congresso dos Estudantes Fatecanos, realizado na Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC), campus Barueri, para fundar o Diretório Central dos Estudantes da instituição.”

Cerca de 120 pessoas? Não creio nesse número. Gostaria muito de ver a ata com a assinatura e o RA de todos os Fatecanos presentes.

“O processo de formação do DCE teve início em março deste ano, englobando grandes atividades como assembleias gerais via vídeo conferência e reuniões presenciais que discutiram e construíram o conteúdo do estatuto do diretório acadêmico.”

Três mentiras deslavadas numa única frase! Primeiramente o processo de construção do DCE teve início em fevereiro desse ano, e não em março, como afirma a nota. Segundo, não houve reuniões para a construção de Estatuto do DCE. Ele já estava pronto desde o ano passado. Foi uma cópia mal feita do Estatuto do DCE da UNIFESP. Eu mesmo tive acesso pessoalmente ao documento, que estava circulando pela Fatec-SP desde 2012, nas mãos de um militante da UJS. E a terceira mentira é que não aconteceu conferencia online coisa nenhuma. Tudo não passou de uma embromação rasteira. Na verdade, a União da Juventude Socialista (UJS) tentou aprovar na marra, no dia 26/02/2013, na Fatec-SP, o estatuto de DCE através de uma “assembleia” realizada parcialmente pelo SKYPE (digo parcialmente, pois havia alguns alunos participando, que estavam realmente presentes, em carne e osso). Entretanto, os supostos Fatecanos que estavam conectados, participando da tal reunião online, eram, na realidade, os contatos registrados no SKYPE de um dos militantes da UJS, mais precisamente o Sr Athur Miranda. Esse estatuto, na época, não foi aprovado. Os militantes da UJS foram rechaçados e tiveram que abandonar, por hora, o plano de tomar de assalto o movimento estudantil Fatecano.

“Participaram do congresso a presidenta da UNE, Virgínia Barros, a presidenta da UEE-SP, Carina Vitral e representantes de cada uma das 56 unidades da FATEC espalhadas pelo estado de São Paulo.”

A UNE é aquela entidade estudantil governista, que costumar trocar os direitos adquiridos dos estudantes, por privilégios políticos e econômicos. Como esquecer que a UNE abriu mão de defender o benefício da meia entrada para shows e eventos culturais, outrora concedido a todos os estudantes, e agora limitado a 40% do total de ingressos? E fez isso para obter o monopólio do lucrativo negócio das emissões das carteirinhas estudantis. Como esquecer que a presidente da UNE, Virginia Barros, disse a besteira de que tal negociata ampliou “o espaço de participação do jovem” e o colocou como “protagonista na política”? Além disso, duvido muito que na assembleia de Barueri havia representantes de 56 unidades das Fatecs.  Cadê a ata com as assinaturas e o RAs dos participantes?

Para o diretor de Universidades Públicas da UEE-SP, Henrique Domingues, a fundação do DCE FATEC é um marco na história dos seus 64 mil estudantes. ‘’O DCE que agora foi fundado será responsável por ampliar a voz de todos e todas que buscam mais qualidade de ensino, mais infraestrutura, políticas de permanência, desenvolvimento de pesquisa e tecnologia ‘’, destacou.

Francamente eu não sei, e não quero saber, o que faz um diretor de Universidades Públicas da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo). Mas considerando que tal diretor é o ilustre Sr Henrique Domingues, eu só posso concluir que sério, esse departamento não é. Quem conhece a figura (quem não conhece é só procurar no facebook) sabe bem do que estou falando. Se a qualidade, ou seja lá o que for, das faculdades e universidades do Estado de São Paulo, depender da competência administrativa desse cidadão, é melhor se matricular num boteco, ou num hospício. Garanto que estaremos em melhores mãos.

Com a instituição do DCE consolidada e seu estatuto aprovado, o próximo passo será a construção de um processo eleitoral para escolha de sua diretoria.

‘’A FATEC é uma das maiores instituições públicas do estado paulista, no entanto, pouco se investe em pesquisa e produção cientifica. A composição social da universidade é bem diferente da elitizada Universidade de São Paulo (USP). Na FATEC, mais de 60% dos estudantes são oriundos da escola pública. Esse abismo social entre as estaduais precisa mudar, queremos uma universidade por inteiro, com investimento, pesquisa, extensão, laboratórios e assistência estudantil. O DCE é mais uma ferramenta nessa luta’’, ressaltou a presidenta da UEE-SP, Carina Vitral.

Renata Bars

Como podemos ver, até numa pequena nota da UNE encontra-se mentiras e absurdos as pencas. O triste é que essa galera da micareta tomou de assalto o Movimento Estudantil Fatecano. Uma nova era de peleguismo governista se anuncia. É só esperar para ver…