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A hostilização aos partidos políticos de esquerda, como o PSOL, PSTU, PCO e PT, e também aos movimentos sociais como a CUT, UNE, MST e o Movimento por Moradia, que acompanharam as mobilizações pela redução da tarifa desde o início dos protestos, nos faz pensar… Como chegamos nisso?

Infelizmente, a própria esquerda possui uma grande parcela de responsabilidade.

Historicamente, a esquerda brasileira sempre se embrenhou num divisionismo e numa fragmentação perigosa, para não dizer burra.

Os partidos de tendências mais radicais (como PSTU, PSOL, PCO e etc.), amplamente dominados por setores classe média, caíram no sectarismo universitário. Não conseguiram ir além de uma retorica velha e mofada, com ecos da Guerra Fria, num mundo de transformações rápidas e superficiais, onde tudo (ou quase) é descartável. Essa parcela da esquerda precisa urgentemente renovar o seu discurso, transcender os muros da universidade e pensar em novas formas de organização e mobilização.

A esquerda mais flexível e articulada, como o PT e PCdoB, fez concessões demais ao establishment, em nome da tal governabilidade. O PT se acomodou na poltrona do poder, perdeu o contato com as ruas, entrou de cabeça na disputa institucional, aparelhou e engessou além da conta os movimentos sociais, sindicatos e movimentos estudantis.

Depois de 10 anos no poder, o PT frustrou as expectativas desses movimentos e da parcela mais progressista da população, que ansiavam por transformações mais profundas no país. As transformações vieram, mas em marcha lenta, em ritmo de tartaruga. O PT optou pelo reformismo lento, sem grandes rupturas.

Como explicar o outrora valente MST, agora manso e dócil, diante de um governo que assentou menos famílias do que o seu antecessor de caráter neoliberal?

E por fim, faltou visão tática ao MPL. Essas manifestações já saíram debaixo do seu guarda-chuva há muito tempo. O MPL se deixou levar (conscientemente) pelo jogo golpista da mídia, pois sozinho, não colocaria mais do que três mil pessoas nas ruas. Será que as lideranças do MPL não suspeitaram de nada quando, em menos de uma semana, e após intenso apoio midiático, o número de manifestantes saltaram das cinco mil para 65 mil pessoas?

Fizeram o pacto com o demônio. E agora, estão sendo rechaçados nas redes sociais e, em breve, também nas ruas.

De resto, a única certeza é que a esquerda precisa se reinventar. Ou vai perder o bonde da história!

Porém, sobre os protestos, cabe perguntar, o que será daqui para frente? Só podemos conjecturar…

Na Espanha em 2011, deu no Partido Popular, nascido em berço fascista.

No Egito, após a “primavera” Árabe, deu num regime teocrático fundamentalista.

No Chile de Salvador Allende deu no Pinochet

Em 64 deu na ditadura…

E no Brasil agora, vai dar no que?

 

Leia também “Direita tenta abduzir manifestações!”

https://independentefatecsp.wordpress.com/2013/06/21/direita-tenta-abduzir-manifestacoes/