Posts Tagged ‘Carteirinha de Estudante’

 Mais uma lambança da UNE/UJS com o apoio da presidente da entidade, Virgínia Barros, aquela que os Delegados da Comissão Estatutária do DCE Fatec ajudaram a eleger no último CONUNE.
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Alerta ao movimento estudantil, em especial a comunidade Fatecana! Não sei se todos aqui já estão sabendo da última lambança protagonizada pela UNE/UJS… Se não estão, eu vou contar/denunciar. O que aconteceu agora é muito sério (para não dizer triste) e certamente afetará o bolso de muitos Fatecanos, e também de outros estudantes pelo Brasil afora. Trata-se do vergonhoso Estatuto da Juventude, aprovado pelo Congresso Nacional, em julho, e sancionado pela Presidente Dilma nesta última segunda feira, dia 05/08/2013.

O Estatuto, ao meu ver, é recheado de redundâncias. Francamente, não entendo qual o sentido em garantir direitos já garantidos (porcamente, é bom ressaltar) pela Constituição, como educação, trabalho, saúde e cultura. Coisas dos doutores do Direito… Porém, o que o há de realmente perverso nesse Estatuto é o tolhimento de direitos históricos, conquistados com muita luta pelo Movimento Estudantil, como por exemplo, o benefício da meia entrada para shows e eventos culturais. Segundo o Estatuto, a concessão de meia-entrada, a partir de agora, será limitada a 40% do total de ingressos disponíveis para cada evento, ou seja, se algum estudante quiser pegar um cineminha no sábado à noite, ele não terá nenhuma garantia de que conseguirá obter um ingresso pela metade do preço.

Já vi por aí alguns abutres da imprensa conservadora justificando esse retrocesso, com o argumento de que o estudante universitário é, em sua maioria, de classe média, e que portanto, ele tem condições de pagar o valor inteiro do ingresso. Dizem também que a cota de 40% está de bom tamanho, pois as empresas sairiam no prejuízo se a cota fosse de 100%. Também né, vendendo ingressos de shows pela mixaria de R$ 200,00… Coitadinhas! No entanto, os abutres se esquecem (propositalmente, é lógico) de que a maior parte dos estudantes brasileiros estão matriculados nos níveis fundamental e médio, a maioria nas escolas públicas, onde estuda a parcela da população de mais baixa renda. E que o preço dos ingressos no Brasil, já são suficientemente abusivos para garantir lucros exorbitantes as empresas do entretenimento.

O estudante pobre das periferias (que já tem acesso precário, ou nenhum, à cultura) terá que se deslocar até o centro da cidade, pagar altas tarifas de ônibus e metro, enfrentar um transporte público de péssima qualidade e ainda por cima, correrá o risco de não conseguir uma meia entrada num show ou evento cultural… Outro ponto polêmico do Estatuto, foi o veto ao artigo que garantiria o direito a 50% de desconto nas passagens de ônibus interestaduais para jovens de baixa renda. É gritante o elitismo destas medidas.

No entanto, o Estatuto da Juventude foi recebido com grande regozijo pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo a velha entidade, o documento faz com que direitos “sejam aprofundados para atender às necessidades específicas dos jovens, respeitando as suas trajetórias e diversidade”. A presidente da UNE, Virgínia Barros (aquela que os Delegados da Comissão Estatutária do DCE Fatec, ajudaram a eleger no último CONUNE, por sugestão/imposição do Sr. Arthur Miranda), chegou a afirmar que “O estatuto passou por uma discussão que envolveu amplos setores da sociedade, e o saldo positivo do documento é de colocar de forma protagonista o jovem brasileiro na política, pois amplia, por exemplo, o espaço de participação do jovem…”. Blábláblá…

Não é estranho esse, digamos, orgasmo político da UNE/UJS, e também da Presidente Virginia Barros, com um Estatuto que claramente decepa os direitos da Juventude? Será que os pobrezinhos da UNE/UJS foram enganados ou não perceberam certas maquinações excludentes? Evidente que não! Na verdade, o entusiasmo da UNE, e de sua presidente, se deve a uma cláusula do Estatuto que garante o lucrativo monopólio das emissões das carteirinhas de estudante pela velha entidade. Em outras palavras, a UNE barganhou um direito adquirido dos estudantes, pela quase exclusividade de emissão das carteirinhas. O que seguramente trará muito dinheiro ao caixa da entidade. O Estatuto diz que as carteirinhas serão expedidas “preferencialmente pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), pela UNE, pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e por entidades estudantis estaduais e municipais a elas filiadas“. Logo, as carteirinhas emitidas pela própria instituição de ensino, como a Fatec ou UFRJ, por exemplo, não valerão mais nada. Só serão válidas, portanto, as carteirinhas que tiverem a chancela da UNE. Por fim, a presidente da UNE ainda teve a cara de pau de afirmar que essa medida foi necessária para “evitar fraudes”. É aquela velha história: em nome da segurança, justifica-se as piores atrocidades.

Enfim, que esse episódio da aprovação deste vergonhoso e excludente Estatuto da Juventude, sirva como um alerta definitivo para aqueles que ainda sonham e acreditam no compromisso da UNE/UJS com as lutas e demandas da juventude e do movimento estudantil. Como já falei antes, e reitero: essa corja está apenas comprometida com seu projeto pessoal de poder. Meus sinceros parabéns ao “jeniais” delegados Fatecanos que votaram, no CONUNE, pela perpetuação de uma gestão pelega e vendida.
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