Os estudantes devem apoiar a greve nas FATECs e ETECs? Reflexões de um Fatecano…

Posted: 18 de Fevereiro de 2014 by Duke de Vespa in Fatec
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“Estamos em greve!”, anuncia o site do SINTEPS – para quem não sabe, é o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza.

Essa não é a primeira vez, em minha jornada fatecana, que vivencio essa situação polêmica. Lembro-me que em 2011, ocorreu uma greve que paralisou parcialmente as FATECs e ETECs, ela durou cerca de um mês. Na época, os trabalhadores reivindicavam reajuste salarial de 58% para os professores, 72% para os funcionários e progressão de carreira para todos. O governo, como era esperado, foi bem menos generoso. Concedeu reajuste de 11%, progressão de carreira para professores de categorias iniciais, evolução funcional para os servidores com bom desempenho e fim de papo.

Atualmente, em 2014, as motivações para a greve não são muito diferentes. Além do reajuste salarial, o sindicato reivindica a implementação de um plano de carreira que possibilite aos funcionários e professores uma progressão salarial conforme o tempo de trabalho. Reivindicação justa!

A troca de acusações entre patrões e empregados, e a cortina de fumaça com o intuito de desviar a atenção, também fazem parte do jogo. Circula na internet, um obscuro e-mail dizendo que “os coordenadores de curso não poderiam entrar em greve, pois desempenham função essencial”. O Sindicato desmente e alerta, “Com o início da greve começa também uma guerra de informações, muitas delas distorcidas, com o objetivo de confundir e pressionar os trabalhadores”. O Centro Paula Souza, por sua vez, informa que “o anteprojeto que contempla as reivindicações [do Sindicato] é considerado prioritário e deverá ser encaminhado à assembleia legislativa já no início de março”. É a velha luta política. Ainda muita água vai rolar…

Porém a questão que eu coloco é a seguinte: Existe motivos para nós, estudantes, apoiarmos a greve?

Dúvidas

A resposta eu deixo para vocês decidirem. Porém, peço licença aos leitores para fazer algumas reflexões. Para mim, está claro que algo grave acontece nas FATECs e ETECs.

Sei que todo mundo já está careca de saber, mas é necessário dizer pela enésima vez, que a expansão do Centro Paula Souza foi conduzida de forma irresponsável. Ao que parece, o governo está mais preocupado com as belas estatísticas a serem exibidas nas campanhas eleitorais, do que com o oferecimento de uma formação superior de qualidade.

Diferente das outras universidades paulistas (nossas irmãs ricas?), nas FATECs e ETECs faltam bibliotecas, laboratórios, restaurantes universitários, salas de aula com recursos multimídia e espaços de convivência entre os alunos.

Da mesma forma, há pouco incentivo ao desenvolvimento de pesquisas. E aqui é preciso esclarecer um ponto: quando digo pesquisa, não me refiro, por exemplo, a investigação acadêmica sobre o surgimento do sistema solar ou sobre comportamento de partículas no universo subatômico. Refiro-me a pesquisa aplicada. Ao desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços, voltados ao mercado mesmo. Somente no Brasil, os cursos superiores de tecnologia são sinônimos de ensino barato, desvinculado de qualquer atividade criativa.

Também não há políticas de permanência estudantil. Não temos bolsas de ajuda de custo, nem alojamentos estudantis para alunos que moram longe. Em resumo, os problemas são antigos e a lista é enorme…

Uma consequência nada agradável da baixa remuneração dos professores e funcionários, é a pérfida bonificação por resultados. O governo, se aproveitando da situação caótica que ele mesmo criou, oferece prêmios em dinheiro aos trabalhadores das unidades que mais aprovarem alunos. Pouco importa se o aluno não obteve um desempenho satisfatório, o que interessa são números. Não é por acaso que recentemente foi divulgada uma pesquisa da Universidade Católica de Brasília, que apontou que mais de 50% dos universitários brasileiros sofrem com o analfabetismo funcional. “A conclusão é que muitos universitários entram na faculdade sem ter o hábito de estudo, aprenderam o conteúdo de forma superficial, costumam decorar ao invés de entender”, diz a pesquisa.

Portanto, motivos para revolta não faltam. Sei que muitos poderão me perguntar, “mas a greve não traz transtornos, não prejudica os alunos, não acarreta em reposição de aulas, etc.”? Sim, tudo isso também é verdade. Em curto prazo haverá alguns transtornos, mas a médio e longo prazo, poderemos conquistar muitos benefícios. Vai depender de nossa capacidade de mobilização e articulação. Como é mesmo aquele ditado? “Não é possível fazer omeletes sem quebrar os ovos”. E particularmente, acho que pensar somente em si mesmo, desconsiderando as precárias condições de trabalhos dos professores e funcionários, é egoísmo.

Não custa lembrar aos críticos de plantão, que a greve é um instrumento legítimo e democrático, assegurado pela Constituição Federal de 1988. No artigo 9º ela diz que “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.”.

Antes de concluir, mais uma informação: de acordo com o fechamento parcial do SINTEPS, nas assembleias realizadas nas unidades de FATECs e ETECs até o dia 15 de fevereiro, de 106 unidades, 68 aderiram totalmente à greve; quatro aderiam parcialmente; uma contou com a participação somente de funcionários; e 15 decidiram pela não paralisação. O restante, 18 unidades, ainda não decidiram ou não realizaram as assembleias.

Concluindo, a situação atualmente é essa. Como eu disse acima, muita água ainda vai rolar. Porém, espero sinceramente que essa greve traga benefícios a todos. Não apenas aos professores, funcionários e alunos, mas também a sociedade como um todo. As FATECs e ETECs têm um grande potencial para contribuir com desenvolvimento do Brasil e de São Paulo. Precisamos que o governo nos leve a sério e nos trate com dignidade e respeito.

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Comentários
  1. Sebastião Pereira diz:

    Greve eh coisa de vagabundo, seus esquerdistas, esquerdopatas, comunas desgraçados, nois aqui so vamos se ferrar nessa greve

    • Temos um tucano comentando besteira aqui.
      Duvido que ele tenha um péssimo salário e trabalhe em um lugar que tenha péssimas condições.
      Como aluno da FATEC de Americana, APÓIO A GREVE ATÉ O PICOLÉ DE CHUCHU LEVANTE A BUNDA DA CADEIRA PARA FAZER ALGO QUE PRESTE!

    • Carol diz:

      Se você está satisfeito com seu salário,apenas continue dando suas aulas,e deixe a greve para quem quer algo além disso!

  2. Daniel Zen diz:

    Apoio total a greve, fora Alckimim narigudo e PSDB!

  3. Republican diz:

    Quem nasceu pra ser DCE jamais será um Caveira.

    A Fatec não é pra perdedores, sindicalistas sem moral como vocês, entendam isso.

    • M. diz:

      aposto que esse republican é apenas outro doente mental que caga no teclado e pela boca mas que nem estuda numa etec ou fatec pra saber o estado lamentavel que se encontram

  4. Alexandre diz:

    A causa dos funcionários é justa, os problemas devido ao “loteamento” das Fatecs já é conhecida. Mas como essas reivindicações dos grevistas irão ajudar na solução para a falta de estrutura das Fatecs? Nem todas as Fatecs vivem esta realidade, existe as que possuem boas estruturas.

    • Alexandre, respondendo a sua pergunta, “como essas reivindicações dos grevistas irão ajudar na solução para a falta de estrutura das FATECs?”, a coisa funciona mais ou menos assim:

      O Sindicato tem uma “lista” de reivindicações que serão negociadas com o governo. Nesta lista podem constar, além da demanda por reajuste salarial, melhorias no plano de carreira, no ambiente de trabalho, na infraestrutura da unidade, etc.

      Então, teoricamente, as paralizações cessam somente no momento em que o governo se comprometer formalmente a cumprir, total ou parcial, os itens da lista. Lógico que para uma greve ser bem sucedida, vai depender da força de mobilização e do poder de barganha do sindicato.

      Sobre as diferenças nas estruturas das unidades, o que você apontou é verdadeiro. As FATECs e ETECs espalhadas pelo estado de São Paulo, tem realidades e condições totalmente diferentes. Porém, mesmo uma unidade top da Fatec (FATEC-SP, por exemplo), é fraca em estrutura se comparada a outras faculdades: Unesp, USP, Federais, entre outras.

      Portanto, em minha opinião, essa reivindicação faz sentido.

      • Alexandre diz:

        Duke, Obrigado por esclarecer minha duvida. Sendo assim dou meu apoio a greve e espero que revindicações que estejam diretamente relacionadas ao bem estar das Fatecs sejam atendidas. E que em um futuro cesse o crescimento desordenado da instituição.

      • Alexandre diz:

        Corrigindo seu exemplo, uma unidade Top Fatec Sorocaba!

      • Alexandre, a Fatec Sorocaba também é uma unidade top. Aliás, eu conheci essa unidade no ano passado, numa assembleia onde foi votado o Regimento Interno da extinta Comissão Estatutária do DCE Fatec. Realmente a estrutura dessa unidade é de impressionar.

        No meu exemplo eu usei a Fatec-SP, mas poderia tranquilamente ter usado a Fatec Sorocaba, ou Jundiaí, ou a Victor Civita. Todas essas têm boa estrutura…

  5. Ko Ryh Sheng diz:

    Acho que por traz de tudo isso há um jogo político de interesse sinto cheiro nisso há muito tempo pois estamos muito próximo da eleição e nessa época sempre surge as greves e de todo tipo e pergunto porque não começaram a greve em junho do ano passado quando toda população saíram para rua exigindo mudança e não aproveitaram o embalo para fazer as reivindicações? Acho justíssimo as reivindicações dos professores e funcionários e também acho que os alunos tem que apoiar e reivindicar uma grande melhoria na estrutura e funcionalidade nas ETECs mas fico em dúvida se nós alunos somos apenas mais uma carta a ser manipulados por políticos e sindicatos pois até hoje as greves de professores com seus sindicatos representativos não trouxeram nenhum benefícios para ninguém pois se houvesse não estaria escrevendo tudo isso. As coisas só vão mudar realmente se todos conscientizarem que a educação só vai melhorar com a união dos professores, alunos e principalmente com apoio da população para pressionar os políticos e governador, senão essa lalainha vai continuar infinitamente. Obs. Sou professor e já estudei 4 cursos em 3 ETECs.

    • Ko Ryh Sheng, você colocou uma questão interessante. Sua preocupação com os riscos de nos tornarmos marionetes nas mãos de agentes políticos, em suas disputas pelo poder, é válida.

      No ano passado, testemunhamos como um instrumento importante de defesa dos interesses e organização dos alunos, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), se tornou uma plataforma de partidos políticos governistas, preocupados apenas com a manutenção de seus privilégios na UNE. Infelizmente esse risco existe.

      Por isso acho importante que os alunos, professores e funcionários, se informem e participem ativamente, com espírito crítico, desses acontecimentos. Que seja para apoiar, criticar ou repudiar.

  6. Guilherme diz:

    Agora é a hora do DCE mostrar a que veio, aproveitar o “Barulho” e revindicar melhorias em prol de nós alunos.

  7. Valter diz:

    Os professores podem e devem fazer greve, principalmente se forem servidores públicos.
    Visto que os políticos (que também o são) votam em aumentos exorbitantes de seu próprio salário, porém, a outros servidores , vetam qualquer aumento.

  8. Gilmar A. Oliveira diz:

    Irei fazer o vestibular para entrar em uma Fatec (Carapicuiba) e desde já apoio as greves, via comentário, para que possamos ter resultados positivos a médio e longo prazo.

  9. maria aparecida sega contesini diz:

    Greve é direito adquirido! Negar é retrocesso…Apenas digo que só os absolutamente conscientes e determinados o fazem. Greve, é coisa para gente grande, que reflete, não é egocentrica e olha muito além do seu próprio umbigo.

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