Entreguismo: doença infantil do Fatecano

Posted: 9 de Novembro de 2013 by Duke de Vespa in DCE Fatec, Fatec
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Incrível como os vícios da velha política nacional ocorrem com exatidão, sem tirar nem por, na micro política estudantil Fatecana. As mesmíssimas práticas da politicagem tupiniquim, como compra de votos, oportunismo rasteiro, financiamento obscuro de campanha, promessas vazias, marketing no lugar de propostas, supremacia de quem tem mais dinheiro, acordões de bastidores, entre outros., também deram as caras nas eleições para o DCE Fatec. O resultado foi mais que previsível… Os camisas verdes da “CONECTE-SE” levaram a melhor sob a “OUTROS JUNHOS VIRÃO”, faturando 85% dos votos.

O Fatecano se deixou levar pelas aparências, encantado como uma mosca zonza pelo brilho reluzente do ouro dos tolos. No ano passado (2012), nas eleições para o Centro Acadêmico da Fatec-SP, quem ganhou a disputa foram os “camisas rosas” (aliás, apoiados pela UJS, Miranda & cia.). Nas eleições para o DCE, neste ano (2013), a bola da vez foram os “camisas verdes”. E assim, de cor em cor, seguimos firmes elegendo nossos representantes. Será que o Fatecano tem alguma tara com camisa? Não sei… Mas o que eu posso dizer é que a tática da camisa ou uniforme, é muito utilizada pelas organizações e tribos urbanas em geral, para criar uma sensação de pertencimento, de inserção do indivíduo no grupo, de cimento social. Ela afirma as semelhanças daqueles que comungam de uma causa comum, ao mesmo tempo em que diferencia-os dos não crentes, ou seja, do outro.
Ainda sobre as camisas, lembrei do didático filme “A Onda” (título original: Die Welle), produção alemã de 2008, dirigida por Dennis Gansel.  O filme aborda, entre outras coisas, a estreita relação do “vestir a camisa” com o fascismo. Não deixem de ver. E antes que alguém comece a chiar, esclareço: NÃO estou acusando quem usa camisa de chapa, de tribo, de time de futebol, ou do diabo a quatro que seja, de fascista. Fascismo vai muito além disso.
Voltando a política nacional, nas minhas aulas de história, lá do ginásio, aprendi que os fazendeiros e coronéis, donos de currais eleitorais, trocavam (e até hoje trocam) votos por presentinhos. O povo pobre e desassistido dos rincões do Brasil, não hesitava em trocar seu voto por uma cesta básica, chaveiro ou dentadura. Manter a população na miséria e na ignorância, para que ela não consiga pensar politicamente, é também uma maneira de… fazer política. Mas e na Fatec? Em plena era da internet, no estado mais rico do país, numa faculdade pública de tecnologia, a história se repete. O Fatecano troca seu voto por camisa bonitinha, lacinho de cabelo, bexiga e por palavras vazias… Seria a Fatec também um curral?
Sim! Aliás, o Brasil todo é um grande curral. Já dizia o poeta Zé Ramalho na célebre música Admirável Gado Novo: “Eh ôô Vida de gado. Povo Marcado. Êh, povo Feliz…”.

Ainda não conseguimos compreender exatamente o que foram as manifestações de junho. Há diversas interpretações e narrativas diferentes. As mais pessimistas (ou seriam realistas?) dizem que os protestos com seu slogan “O povo acordou”, no fim das contas, não deu em nada. Todo aquele alvoroço não passou de um “piti” anabolizado pela velha mídia conservadora. “Aquela baboseira toda só serviu para render boas fotos no Facebook”, dizem as línguas por aí. O fato é que o atraso brasileiro é proporcional a nossa ignorância política. Quem sabe, daqui uns 50 anos, nós aprendamos que política é coisa séria e que voto não se troca por camisa ou fitinha de cabelo. Até lá, vamos, em ritmo de micareta, continuar entregando as FATECs, e o Brasil, aos oportunistas.
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Comentários
  1. Adonis diz:

    De um lado um movimento mais bonito do que sério, do outro uma chapa de chorões,

    sempre haverá uma desculpa, mas nunca assumirão que não sabem fazer politica.

    sou neutro, antes que alguem pergunte

  2. Acho que a coisa é assim mesmo… Estamos dando os primeiros passos no movimento estudantil organizado. Com o tempo, vamos amadurecer e ganhar em qualidade. Afinal, melhor qualquer movimento do que movimento nenhum, não é? Só espero que a chapa vencedora cumpra o que prometeu. Pois, problemas nas Fatecs, é o que não falta.

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