Arquivo de Agosto, 2013

O programa Ciência sem Fronteiras é um projeto do Governo Federal, lançando em 2011, de estímulo ao intercâmbio e mobilidade internacional. O programa prevê a distribuição de até 101 mil bolsas de estudo, para alunos universitários de todo o Brasil fazerem parte de seus cursos em outros países. O objetivo (excelente, na minha opinião) é fazer com que os estudantes brasileiros mantenham contato com sistemas educacionais competitivos tanto em tecnologia quanto em inovação.

As Fatecs, Faculdades de Tecnologias administradas pelo Centro Paulo Souza (CEETEPS), também participam do programa. Entretanto, do total das 4661 bolsas distribuídas no Estado de São Paulo até junho de 2013, as Fatecs ficaram com apenas 60 delas, ou seja, 1,3% do total.

Para ver os números atualizados, clique aqui.

O Centro Paula Souza, porém, informa com muita satisfação que “está entre as 13 instituições [de 14 instituições – comentário do blog] de ensino superior do Estado de São Paulo que mais aprovou alunos no programa Ciência sem Fronteiras”. E que agradece a todos que contribuíram para este “EXCELENTE RESULTADO”.

Será que o Centro Paula Souza acha que somos tão ruins assim, ao ponto de não sabermos, pelo menos, contar?

Vejam só: se as Fatecs, em todo o estado de São Paulo, têm mais de 60 mil alunos matriculados, e se o total de bolsas distribuídas para nós foram de 60 somente, então podemos concluir que a cada 1000 alunos (arredondando para baixo), apenas um consegue uma bolsa do Ciência sem Fronteiras. Será que podemos chamar esse cenário aterrador de “excelente resultado”?

Para piorar a situação, segue abaixo um gráfico comparativo da distribuição das bolsas entre as 14 instituições Paulistas que participam do programa. Nós Fatecanos, com nossos mais de 60 mil alunos matriculados, estamos abaixo de Faculdades como Mauá, PUC-Campinas, FEI e Mackenzie (não menosprezando ninguém). Contemplem os “excelentes resultados”.

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 Mais uma lambança da UNE/UJS com o apoio da presidente da entidade, Virgínia Barros, aquela que os Delegados da Comissão Estatutária do DCE Fatec ajudaram a eleger no último CONUNE.
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Alerta ao movimento estudantil, em especial a comunidade Fatecana! Não sei se todos aqui já estão sabendo da última lambança protagonizada pela UNE/UJS… Se não estão, eu vou contar/denunciar. O que aconteceu agora é muito sério (para não dizer triste) e certamente afetará o bolso de muitos Fatecanos, e também de outros estudantes pelo Brasil afora. Trata-se do vergonhoso Estatuto da Juventude, aprovado pelo Congresso Nacional, em julho, e sancionado pela Presidente Dilma nesta última segunda feira, dia 05/08/2013.

O Estatuto, ao meu ver, é recheado de redundâncias. Francamente, não entendo qual o sentido em garantir direitos já garantidos (porcamente, é bom ressaltar) pela Constituição, como educação, trabalho, saúde e cultura. Coisas dos doutores do Direito… Porém, o que o há de realmente perverso nesse Estatuto é o tolhimento de direitos históricos, conquistados com muita luta pelo Movimento Estudantil, como por exemplo, o benefício da meia entrada para shows e eventos culturais. Segundo o Estatuto, a concessão de meia-entrada, a partir de agora, será limitada a 40% do total de ingressos disponíveis para cada evento, ou seja, se algum estudante quiser pegar um cineminha no sábado à noite, ele não terá nenhuma garantia de que conseguirá obter um ingresso pela metade do preço.

Já vi por aí alguns abutres da imprensa conservadora justificando esse retrocesso, com o argumento de que o estudante universitário é, em sua maioria, de classe média, e que portanto, ele tem condições de pagar o valor inteiro do ingresso. Dizem também que a cota de 40% está de bom tamanho, pois as empresas sairiam no prejuízo se a cota fosse de 100%. Também né, vendendo ingressos de shows pela mixaria de R$ 200,00… Coitadinhas! No entanto, os abutres se esquecem (propositalmente, é lógico) de que a maior parte dos estudantes brasileiros estão matriculados nos níveis fundamental e médio, a maioria nas escolas públicas, onde estuda a parcela da população de mais baixa renda. E que o preço dos ingressos no Brasil, já são suficientemente abusivos para garantir lucros exorbitantes as empresas do entretenimento.

O estudante pobre das periferias (que já tem acesso precário, ou nenhum, à cultura) terá que se deslocar até o centro da cidade, pagar altas tarifas de ônibus e metro, enfrentar um transporte público de péssima qualidade e ainda por cima, correrá o risco de não conseguir uma meia entrada num show ou evento cultural… Outro ponto polêmico do Estatuto, foi o veto ao artigo que garantiria o direito a 50% de desconto nas passagens de ônibus interestaduais para jovens de baixa renda. É gritante o elitismo destas medidas.

No entanto, o Estatuto da Juventude foi recebido com grande regozijo pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo a velha entidade, o documento faz com que direitos “sejam aprofundados para atender às necessidades específicas dos jovens, respeitando as suas trajetórias e diversidade”. A presidente da UNE, Virgínia Barros (aquela que os Delegados da Comissão Estatutária do DCE Fatec, ajudaram a eleger no último CONUNE, por sugestão/imposição do Sr. Arthur Miranda), chegou a afirmar que “O estatuto passou por uma discussão que envolveu amplos setores da sociedade, e o saldo positivo do documento é de colocar de forma protagonista o jovem brasileiro na política, pois amplia, por exemplo, o espaço de participação do jovem…”. Blábláblá…

Não é estranho esse, digamos, orgasmo político da UNE/UJS, e também da Presidente Virginia Barros, com um Estatuto que claramente decepa os direitos da Juventude? Será que os pobrezinhos da UNE/UJS foram enganados ou não perceberam certas maquinações excludentes? Evidente que não! Na verdade, o entusiasmo da UNE, e de sua presidente, se deve a uma cláusula do Estatuto que garante o lucrativo monopólio das emissões das carteirinhas de estudante pela velha entidade. Em outras palavras, a UNE barganhou um direito adquirido dos estudantes, pela quase exclusividade de emissão das carteirinhas. O que seguramente trará muito dinheiro ao caixa da entidade. O Estatuto diz que as carteirinhas serão expedidas “preferencialmente pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), pela UNE, pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e por entidades estudantis estaduais e municipais a elas filiadas“. Logo, as carteirinhas emitidas pela própria instituição de ensino, como a Fatec ou UFRJ, por exemplo, não valerão mais nada. Só serão válidas, portanto, as carteirinhas que tiverem a chancela da UNE. Por fim, a presidente da UNE ainda teve a cara de pau de afirmar que essa medida foi necessária para “evitar fraudes”. É aquela velha história: em nome da segurança, justifica-se as piores atrocidades.

Enfim, que esse episódio da aprovação deste vergonhoso e excludente Estatuto da Juventude, sirva como um alerta definitivo para aqueles que ainda sonham e acreditam no compromisso da UNE/UJS com as lutas e demandas da juventude e do movimento estudantil. Como já falei antes, e reitero: essa corja está apenas comprometida com seu projeto pessoal de poder. Meus sinceros parabéns ao “jeniais” delegados Fatecanos que votaram, no CONUNE, pela perpetuação de uma gestão pelega e vendida.

De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, divulgado na semana passada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil cresceu 47,5% entre 1991 e 2010.

O IDHM é um índice composto por três indicadores de desenvolvimento humano, que avalia a longevidade, educação e renda.

Em 1991, 85,8% dos municípios brasileiros faziam parte do grupo de muito baixo desenvolvimento humano. Em 2000 (final do governo FHC), esse número reduziu para 70% e, em 2010 (final do governo Lula), caiu para 0,57%. Veja os dados na íntegra aqui: http://www.pnud.org.br/Noticia.aspx?id=3752

A evidente melhora no desenvolvimento humano municipal, principalmente nos governos Lula (PT), me faz pensar e conjecturar cá, com meus botões…

Será que o PT ainda é a única “esquerda” possível no Brasil que, bem ou mal, incomoda a direita conservadora? Não por acaso, vejo todos os dias os ultradireitistas da vida, do calibre do jornalista Reinaldo Azevedo e do filosofo Olavo de Carvalho, vomitarem seu ódio antipetista no cyber espaço. “A Dilma é um poste”, “o Lula é um apedeuta”, “O PT é uma quadrilha de criminosos (petralhas)”, dizem com todas as letras os analistas da extrema direita.

Será que, enquanto os valentes do PSOL, PSTU e PCO (dominado por setores da classe média urbana universitária) bradam nas ruas sua retórica radical anticapitalista, o PT, por outro lado, promove os avanços, em ritmo lento de tartaruga, reconheço, que o país precisa?

Será que o pragmatismo Petista, com suas coalisões, acordos duvidosos, discurso cor de rosa e reformismo lento, é o melhor caminho?

Não sei. Por enquanto, os resultados (positivos) estão aí…

Uma coisa, porém, eu posso afirmar: a qualidade de vida da população melhorou. Isso é fato, sejamos sinceros. Muitos aqui, inclusive eu, são provas vivas de que o Brasil já não é mais o mesmo. Até a rede Globo, o principal “partido” de oposição, reconhece os avanços.

No entanto, tenho consciência de que não estamos no melhor dos mundos possíveis. O Brasil ainda é um país (graças as suas elites) de enormes desigualdades e injustiças sociais. Ainda há muito a ser feito, principalmente nas áreas da educação, habitação e saúde.

Sobre essa última, a propósito, aprovo o programa Mais Médicos, lançado recentemente pelo Governo Federal. Conheço muito bem como funciona a “saúde” nas periferias das grandes cidades e municípios pobres do interior.

Que venham os médicos estrangeiros. E que a classe média/médica tupiniquim xenófoba trabalhe, não dois, mas 4 anos (que é o prazo mínimo de integração de um curso de medicina) no SUS.

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