Segue um relato estarrecedor sobre uma tentativa de estupro coletivo, ocorrido na República Marragolo, da UFOP:

estupro_coletivo_500

Nota de Denúncia e Repúdio à tentativa de estupro coletivo cometida por moradores da República Marragolo, da UFOP

O seguinte relato evidencia a tentativa de integrantes da República Marragolo, da Universidade Federal de Ouro Preto, de estuprar coletivamente uma companheira nossa, aproveitando-se para planejar o estupro diante do seu então estado de vulnerabilidade, e os relatos de amig@s que estavam no local corroboram as intenções e o plano de fazê-lo, que poderia ter se efetivado caso ela não tivesse amparo de amig@s que perceberam a intenção violenta dos moradores.

“Sou uma mulher, tenho 26 anos, sou feminista. Como tal, considero que a mulher é equivalente ao homem, é ser emancipado, é dona de si e do seu corpo, e não deve ser culpabilizada por nenhum ato ou ameaça que atente contra sua integridade física e moral.

“Ela estava pedindo”, “ela mereceu”, “ela não se deu o respeito”: existe uma cultura do estupro na sociedade. Estupro este, que pode ser consolidado ou anteceder a isso, ser legitimado em juízos e rodas de conversas misóginas.  A mulher é culpada do ponto de vista moral em praticamente todas as ocasiões, seja porque faz o que deseja ou porque se considera que ela está incitando outros a quererem.

Sou de São Paulo. Era feriado de Corpus Christi, viajei para Ouro Preto com um grupo de pessoas do cursinho no qual faço parte, e ficamos hospedados em uma famosa República masculina da cidade, a República Marragolo.

Houve uma festa na República, bebi, fiquei visivelmente alterada, passei mal, meus amigos estavam me ajudando. E entre risadinhas por uma roda de homens, foi ouvido: “Deixa que a gente põe ela na nossa cama e a gente cura lá”, segundo o relato de duas pessoas.  A seguir, uma parte do relato deles na íntegra, que foi enviado por email:

“Dois integrantes da república começaram a conversar do meu lado e percebi que eles estavam falando de você. Aí resolvi prestar atenção no que eles falavam, e um deles disse com essas palavras:

– Olha para **, ela está totalmente bêbada, tá muito fácil para a gente levar para cama e nos revezarmos e comer ela, você não acha cara?

– É mesmo, essa noite a gente se dá bem, em.

– Vamos tentar levar ela para o meu quarto para a gente se divertri com ela enquanto ela tá ”facinha”. Distrai os caras e tenta levar ela pra lá.

Nessa hora eu avisei minha namorada sobre o que eles queriam fazer. Aí nos levantamos e ficamos por perto impedindo eles de chegar perto de você enquanto os professores tentavam ajudar você a ir para o quarto dos professores.

Mas só que eles não desistiram e ficavam toda hora querendo ter uma oportunidade para te pegar, mas eu e a *** combinamos de ficar de olho em quem entrava no quarto, até que chegou um deles (integrante da república) e perguntou por que não colocavam você no quarto dele para deitar na cama em vez do colchonete no chão. Nessa hora a *** começou a discutir com ele, falando que eles não tinham caráter, porque queriam se aproveitar de você. Ela começou a xingá-lo e falou que eles não teriam essa ”sorte” que eles falavam que tinham por você estar bêbada.”

Sim, um estupro coletivo estava sendo planejado. Fico pensando quantas vezes isso não ocorreu com mulheres que ficaram bêbadas em festas na República, e se de fato não foi consolidado um estupro com alguma mulher, que talvez por vergonha de ter ficado bêbada, não os denunciaram.

Depois que deitei na cama, as pessoas que estavam comigo no quarto (que não tinha trinca) disseram que por três vezes a porta foi aberta, verificavam que tinha gente lá e fechavam a porta. Ou seja, a probabilidade deles estarem indo lá para consolidar o que estavam confabulando anteriormente.”

Esta nota tem o objetivo de expor esse caso de violência e os homens que o perpetraram, de dar voz à vítima e, assim, dar forças a todas as mulheres que são cotidianamente violentadas, assediadas e agredidas de diversas formas. Expor estupradores e misóginos em geral é um ato político, que demanda consciência, apoio e coragem de todas as mulheres, pois é por sermos mulheres que sofremos esse tipo de violência. Nós, mulheres, somos cotidiana e sistematicamente perseguidas, atacadas, objetificadas e socializadas para que homens tenham acesso aos nossos corpos violentamente, e isso se torna normalizado.

As linhas que configuram uma situação de violência contra a mulher ficam borradas, e as vítimas, silenciadas. Em muitos casos, a própria vítima não sabe que sofreu uma violência e se sente culpada e sem forças para denunciar o que sofreu.

Não há consentimento em situação de vulnerabilidade, e esses homens sabiam disso e fizeram de tudo para forçar o acesso ao corpo de uma mulher, estuprá-la, e se organizaram para isso.

Não podemos permitir que isso ocorra e que estupradores possam continuar a tentar violentar mulheres sem que nenhuma medida seja tomada, sem que sejam expostos e execrados por suas ações,  e vimos por meio desta nota repudiar quaisquer violências, sexual, psicológica ou quaisquer meios que os homens utilizem para coagir e submeter mulheres e deixamos claro que ESTUPRADORES NÃO PASSARÃO!

Contra toda forma de machismo e misoginia nos levantaremos e apoiaremos nossas companheiras!

Assinam a nota:

– Coletiva Feminista Radical Manas Chicas

– GARRa Feminista (Grupa Ação e Resistência Radical Feminista)

– Marcha Mundial das Mulheres – Núcleo USP

– Frente Feminista de São José dos Campos

– Frente Feminista da USP

– Feminismo Sem Demagogia

– Coletivo Feminista Lélia Gonzalez

– Coletivo Feminista Trepadeiras

– Coletivo Trans*a USP

– RUA – Juventude Anticapitalista

– Coletivo Pr’Além dos Muros

– Juntas

– Coletivo Feminista Maria Bonita

– Coletivo Feminista Comuhna

A demanda por um restaurante universitário (bandejão), que ofereça refeições com o mínimo de qualidade a baixo custo, é uma reivindicação antiga e recorrente do movimento estudantil Fatecano.

bandejao

No ano passado, durante as eleições para o DCE, as duas chapas em disputa, a Conecte-se e a Outros Junhos Virão, apresentaram propostas para a instalação de bandejões nas Fatecs. Na Fatec-SP, uma das únicas unidades a possuir um restaurante universitário (com comida ruim e preço alto), a chapa Todas as Vozes, que está na atual gestão do C.A., também abordou em suas propostas de campanha, a necessidade de melhorar a qualidade da comida oferecida por um preço menor. Essas inquietações, independente das posições políticas, demonstram o quanto que o problema bandejão é caro aos estudantes Fatecanos. O Centro Paula Souza, no entanto, parece ignorá-lo completamente.

Recentemente, durante a Greve das Fatecs e Etecs, ocorrida em março desse ano, um grupo de alunos se reuniu com a Superintendente do CEETEPS, a Prof.ª. Laura Josefina Laganá, e reivindicou, dentre outras coisas, a instalação de bandejões em todas as unidades das Fatecs. Laganá, no entanto, deu a velha desculpa esfarrapada de sempre: o Estado de São Paulo não dispõe de meios e recursos para atender tal solicitação.

Imaginem agora a minha surpresa ao abrir o site do UOL e me deparar com o título da matéria “USP Leste instala bandejão para alunos na Fatec/Tatuapé”. A coisa é tão ridícula que eu não sei nem por onde começar…

Antes, porém, preciso esclarecer um ponto. Não sou contra, de maneira alguma, a instalação de um bandejão compartilhado na Fatec Tatuapé, para atender os Fatecanos em conjunto com os alunos da USP. Acredito que devemos ser solidários com nossos colegas USPianos. Ainda mais, depois da falta de respeito para com a comunidade acadêmica e da lambança protagonizada pelo Governo do Estado na USP Leste. Para quem não sabe, a unidade está com a água e o solo contaminados, e suas dependências infestadas por pragas. A universidade teve que ser interditada no ano passado (2013) e durante a evacuação às pressas, alguns professores perderam anos de material de pesquisas. Para dar seguimento as aulas em 2014, os USPianos foram espalhados em várias faculdades pela cidade. Uma das faculdades a recebê-los, a Unicid, fica ao lado da Fatec Tatuapé.

Como a Unicid não dispõe de R.U, para atender a demanda dos alunos da USP Leste por refeições, foi instalado, em tempo recorde, um bandejão na Fatec Tatuapé. Lógico que o local é pequeno (comporta somente 50 pessoas) e oferece comida em marmitex de alumínio. É o jeito PSDB de fazer política pública, nenhuma novidade… Mas mesmo assim, com todas as precariedades, creio eu, é melhor algum bandejão do que bandejão nenhum.

O mais engraçado de toda essa história, é que no ano passado, eu estive na Fatec Tatuapé e conversei com o então presidente do diretório acadêmico, Thiago (não lembro de seu sobrenome). Ele me disse que a luta por um bandejão já era antiga, (desde a inauguração da faculdade). Inclusive Thiago me mostrou o local que poderia abrigar um restaurante universitário. O Governo do Estado nada fez para atender essa demanda, até a infeliz chegada dos alunos da USP. Penso aqui com meus botões, será que para esse governo, Fatecano é estudante de segunda categoria? Por que não temos bandejões em quase nenhuma unidade e a única chance de termos algo parecido, é quando os alunos da USP precisam utilizar as instalações de alguma Fatec?

Como disse acima, não tenho nada contra os alunos da USP, mas é vergonhoso esse tratamento diferenciado que recebemos do Governo do Estado. A lição que tiro é que precisamos nos organizar e endurecer com esse governo tucano. Senão, estaremos para sempre na rabeira das instituições públicas de ensino do Estado de São Paulo.

Segue a matéria na íntegra do UOL:

http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2014/04/10/usp-leste-instala-bandejao-para-alunos-na-fatectatuape.htm

USP Leste instala bandejão para alunos na Fatec/Tatuapé

A USP Leste inaugurou nesta quarta-feira, 9, um bandejão na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) do Tatuapé. A falta de um bandejão era uma das principais reclamações dos alunos durante a realocação das aulas para a Fatec e a Unicid, na zona leste.

Mas o novo refeitório, segundo os alunos, tem apenas 50 lugares e é destinado para todos os estudantes da unidade, tanto os que foram realocados para a Fatec quanto os que assistirão às aulas na Unicid. A unidade tem aproximadamente 5 mil alunos.

Os estudantes reclamam que o espaço não tem pratos e nem bandejas e que os alimentos estão sendo servidos em marmitex de alumínio. “Hoje ninguém sabia da existência do bandejão, mas não vai dar conta, especialmente quando as pessoas começarem a saber. Além disso é longe da Unicid. São 20 minutos de caminhada e é preciso atravessar um viaduto”, disse Marcelo Fernandes, de 23 anos aluno do 5º ano de Gestão de Políticas Públicas.

Jaqueline Nascimento, de 23 anos, aluna do 5º ano de Gestão Ambiental, disse que o espaço não conseguirá receber todos os alunos da unidade. “É um espaço muito restrito, bem diferente do original. Com certeza não comporta a quantidade de alunos.”

Ampliação

A diretora da unidade, Maria Cristina Motta de Toledo, disse que “à medida que se estabilizar o fluxo será possível estudar uma ampliação”. “Vamos ver como será o interesse dos alunos.”

Caros leitores, segue mais uma bela charge, do artista e caricaturista Tema:

Laura Laganá

Neste trabalho Tema faz um trocadilho artistico entre as estruturas autoritárias do Centro Paula Souza (CEETEPS) e os 50 anos do golpe Militar.

E já que estamos falando em golpe, não deixem de participar do debate na Fatec-SP sobre os… 50 anos do Golpe Militar.

O evento está sendo organizado pelo Centro Acadêmico XXIII de Abril e ocorrerá no dia 09/04/2014 às 18h.

Imagem  —  Posted: 4 de Abril de 2014 by independentefatecsp in Fatec

Monge franciscano, participante da Marcha Antifascista, explica por que é contra a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

“Estou do lado do mais fraco”, diz o monge.

Vídeo  —  Posted: 27 de Março de 2014 by Duke de Vespa in Cotidiano
Etiquetas:,

“Estamos em greve!”, anuncia o site do SINTEPS – para quem não sabe, é o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza.

Essa não é a primeira vez, em minha jornada fatecana, que vivencio essa situação polêmica. Lembro-me que em 2011, ocorreu uma greve que paralisou parcialmente as FATECs e ETECs, ela durou cerca de um mês. Na época, os trabalhadores reivindicavam reajuste salarial de 58% para os professores, 72% para os funcionários e progressão de carreira para todos. O governo, como era esperado, foi bem menos generoso. Concedeu reajuste de 11%, progressão de carreira para professores de categorias iniciais, evolução funcional para os servidores com bom desempenho e fim de papo.

Atualmente, em 2014, as motivações para a greve não são muito diferentes. Além do reajuste salarial, o sindicato reivindica a implementação de um plano de carreira que possibilite aos funcionários e professores uma progressão salarial conforme o tempo de trabalho. Reivindicação justa!

A troca de acusações entre patrões e empregados, e a cortina de fumaça com o intuito de desviar a atenção, também fazem parte do jogo. Circula na internet, um obscuro e-mail dizendo que “os coordenadores de curso não poderiam entrar em greve, pois desempenham função essencial”. O Sindicato desmente e alerta, “Com o início da greve começa também uma guerra de informações, muitas delas distorcidas, com o objetivo de confundir e pressionar os trabalhadores”. O Centro Paula Souza, por sua vez, informa que “o anteprojeto que contempla as reivindicações [do Sindicato] é considerado prioritário e deverá ser encaminhado à assembleia legislativa já no início de março”. É a velha luta política. Ainda muita água vai rolar…

Porém a questão que eu coloco é a seguinte: Existe motivos para nós, estudantes, apoiarmos a greve?

Dúvidas

A resposta eu deixo para vocês decidirem. Porém, peço licença aos leitores para fazer algumas reflexões. Para mim, está claro que algo grave acontece nas FATECs e ETECs.

Sei que todo mundo já está careca de saber, mas é necessário dizer pela enésima vez, que a expansão do Centro Paula Souza foi conduzida de forma irresponsável. Ao que parece, o governo está mais preocupado com as belas estatísticas a serem exibidas nas campanhas eleitorais, do que com o oferecimento de uma formação superior de qualidade.

Diferente das outras universidades paulistas (nossas irmãs ricas?), nas FATECs e ETECs faltam bibliotecas, laboratórios, restaurantes universitários, salas de aula com recursos multimídia e espaços de convivência entre os alunos.

Da mesma forma, há pouco incentivo ao desenvolvimento de pesquisas. E aqui é preciso esclarecer um ponto: quando digo pesquisa, não me refiro, por exemplo, a investigação acadêmica sobre o surgimento do sistema solar ou sobre comportamento de partículas no universo subatômico. Refiro-me a pesquisa aplicada. Ao desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços, voltados ao mercado mesmo. Somente no Brasil, os cursos superiores de tecnologia são sinônimos de ensino barato, desvinculado de qualquer atividade criativa.

Também não há políticas de permanência estudantil. Não temos bolsas de ajuda de custo, nem alojamentos estudantis para alunos que moram longe. Em resumo, os problemas são antigos e a lista é enorme…

Uma consequência nada agradável da baixa remuneração dos professores e funcionários, é a pérfida bonificação por resultados. O governo, se aproveitando da situação caótica que ele mesmo criou, oferece prêmios em dinheiro aos trabalhadores das unidades que mais aprovarem alunos. Pouco importa se o aluno não obteve um desempenho satisfatório, o que interessa são números. Não é por acaso que recentemente foi divulgada uma pesquisa da Universidade Católica de Brasília, que apontou que mais de 50% dos universitários brasileiros sofrem com o analfabetismo funcional. “A conclusão é que muitos universitários entram na faculdade sem ter o hábito de estudo, aprenderam o conteúdo de forma superficial, costumam decorar ao invés de entender”, diz a pesquisa.

Portanto, motivos para revolta não faltam. Sei que muitos poderão me perguntar, “mas a greve não traz transtornos, não prejudica os alunos, não acarreta em reposição de aulas, etc.”? Sim, tudo isso também é verdade. Em curto prazo haverá alguns transtornos, mas a médio e longo prazo, poderemos conquistar muitos benefícios. Vai depender de nossa capacidade de mobilização e articulação. Como é mesmo aquele ditado? “Não é possível fazer omeletes sem quebrar os ovos”. E particularmente, acho que pensar somente em si mesmo, desconsiderando as precárias condições de trabalhos dos professores e funcionários, é egoísmo.

Não custa lembrar aos críticos de plantão, que a greve é um instrumento legítimo e democrático, assegurado pela Constituição Federal de 1988. No artigo 9º ela diz que “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.”.

Antes de concluir, mais uma informação: de acordo com o fechamento parcial do SINTEPS, nas assembleias realizadas nas unidades de FATECs e ETECs até o dia 15 de fevereiro, de 106 unidades, 68 aderiram totalmente à greve; quatro aderiam parcialmente; uma contou com a participação somente de funcionários; e 15 decidiram pela não paralisação. O restante, 18 unidades, ainda não decidiram ou não realizaram as assembleias.

Concluindo, a situação atualmente é essa. Como eu disse acima, muita água ainda vai rolar. Porém, espero sinceramente que essa greve traga benefícios a todos. Não apenas aos professores, funcionários e alunos, mas também a sociedade como um todo. As FATECs e ETECs têm um grande potencial para contribuir com desenvolvimento do Brasil e de São Paulo. Precisamos que o governo nos leve a sério e nos trate com dignidade e respeito.

“Por que se questiona tanto o estudo de Marx e não a interferência prática e direta [nas escolas e universidade] das empresas de carros, tratores e sementes, institutos de cosméticos e bancos”… [e empresas de bebidas alcoólicas]?

mito

Ultimamente venho “escutando” na internet e nas redes sociais, uma gritaria estrondosa a respeito da suposta doutrinação ideológica marxista, praticada pelos professores das escolas e universidades brasileiras.

Já escrevi alguns posts sobre o caso da professora Cleo Tibiriça da Fatec Barueri, perseguida pelo blog arque-conservador “EscolaSemPartido”.

Entretanto, seguindo a mesma linha, tratarei hoje de mais um episódio dessa novela mexicana de péssimo gosto misturada com teoria da conspiração de segunda…

Recentemente, o filósofo direitista e colunista da Folha de São Paulo, Luís Felipe Pondé, escreveu o artigo “Eu acuso”, onde denuncia a terrível coação comunista na qual os pobres alunos do ensino médio e superior estão sendo submetidos:

“Muitos alunos de universidade e ensino médio estão sendo acuados em sala de aula por recusarem a pregação marxista. São reprovados em trabalhos ou taxados de egoístas e insensíveis. No Enem, questões ideológicas obrigam esses jovens a “fingirem” que são marxistas para não terem resultados ruins”.   

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2013/11/1366183-eu-acuso.shtml

Em resposta, o também filósofo e professor universitário, Paulo Ghiraldelli, publicou em seu blog, o artigo “Pondé e o perigo da doutrinação nas escolas” expondo ao ridículo a falácia panfletária de Pondé:

“Estamos em uma época que nenhum professor reina, ao contrário, a maioria acaba cedendo a tudo que o aluno pede. Vivemos em uma situação deplorável do ponto de vista do respeito ao professor, tanto no ensino médio quanto na universidade.”.

http://ghiraldelli.pro.br/ponde-e-o-perigo-da-doutrinacao-nas-escolas/

Porém, com o intuito de aprofundar um pouco mais esse debate, reproduzirei aqui o interessante comentário ao texto de Ghiraldelli, escrito pela leitora de seu blog, identificada apenas como Amanda. Amanda expõe de forma clara e objetiva (sem floreios filosóficos) a total desconexão da realidade existente no discurso denuncista da direita tupiniquim.

“Sempre que os leio [os articulistas da direita], sinto que estudei e me formei em escolas e universidade de outro país”.

Para que o leitor tenha maior compreensão dessa picuinha, aconselho-o a ler os artigos de Pondé e Ghiraldelli, mencionados acima. Vale a pena conferir!

Sobre a suposta doutrinação marxista nas escolas:

Comentário de Amanda no blog http://ghiraldelli.pro.br

Olá, Ghiraldelli e demais. Meu comentário talvez em nada contribua para a discussão, mas considero importante colocar esta minha inquietação. Sou professora da educação básica e me formei em História há pouco tempo em uma universidade pública.

Vejo frequentemente vários textos que falam de uma doutrinação marxistas nas escolas e universidades (e diga-se de passagem, este seu texto é o primeiro em que vi tratar o tema de forma mais crítica). A inquietação: sempre que os leio, sinto que estudei e me formei em escolas e universidade de outro país!

Estudei toda minha vida em escola pública e por mais que tente encontrar algum traço de tamanha intelectualidade nas aulas que tive (a ponto de estudar categorias marxistas e de outros clássicos), só posso lhe afirmar que a educação nas escolas públicas que cursei, além de não conseguir transgredir o básico dos conteúdos possibilitados pelas condições precárias de ensino, me pareceu totalmente em acordo com o modelo do mercado. Aliás, quando comecei a dar aulas na educação infantil descobri que não poderia ser diferente, já que os programas educacionais das secretárias educação (não diferente é o MEC), em grande parte, estão vinculados a projetos da iniciativa privada de alguma forma (eu, no pequeno período que fui professora na educação infantil, já tive vários cursos de formação continuada ministrados diretamente por agentes do Instituto Natura, da Fundação Itaú Social, etc.). Fora isso, muitas amigas minhas trabalham em escolas privadas e a nova grande moda para a educação infantil e séries iniciais, ao menos nas escolas privadas da região em que moro, é a matéria de Empreendedorismo para crianças.

Mas, enfim, me voltando para a Universidade em que me formei minha inquietação é maior ainda. Por fim, foi diferente, ao menos na universidade pública podemos afirmar que as condições de ensino e pesquisa lhe permitem contato com os mais variados autores, discussões e perspectiva. Ao menos nos cursos de humanas, pois os de engenharia seguem no aprofundamento de lógica de “escolão” e cada vez mais vinculados diretamente a projetos da iniciativa privada (ao menos na minha universidade, já vi várias exposições públicas de marcas de carros, tratores, sementes e demais empresas que financiam e se beneficiam das pesquisas realizadas nos cursos de engenharias).

Enfim, mas quanto aos cursos de humanas (e tive contato com vários durante minha graduação, pois sempre fui muito de cursar disciplinas em outros cursos), me lembro bem da minha graduação e me pergunto exaustivamente: onde esteve Marx? Confesso que em todo o meu curso de História só o discutimos uma ou duas vezes de forma muito superficial. Além do meu curso, na Ciências Sociais me lembro de ter tido a oportunidade de conhecer melhor que autor era este, obviamente, em uma disciplina de Sociologia 1 ou 2, em que a leitura, como você já bem disse, de Marx, Weber e Durkheim é mais que obrigatória. Nos demais cursos de humanas que tive contato (pedagogia, direito e geografia), conhecendo e perguntando para amigos, me garantem que jamais estudaram Marx propriamente. Voltando para o meu curso e, com certeza, também nestes demais, posso garantir, com toda absoluta certeza, que a maior parte dos professores reproduz claramente que Marx foi superado, e que minha formação se baseou mais em visões pós modernistas que marxistas.

Então, só vejo três alternativas: ou a maior parte destas pessoas que lê Luís Felipe Pondé e Reinaldo Azevedo não estudaram em escolas públicas, ou mesmo entraram e saíram da universidade sem saber o que realmente é Marx, achando que qualquer coisa que fale de capitalismo já seria marxista. Ou, por último, talvez eu tenha tido sorte de estudar em uma universidade revolucionária que conseguiu se libertar da doutrinação marxista e ser livre para se conectar a iniciativa privada.

Pois bem, para que eu possa mesmo descobrir se não estou mesmo sendo doutrinada, estes colunistas e seus leitores poderiam somente nos esclarecer porque se questiona tanto o estudo de Marx e não a interferência prática e direta das empresas de carros, tratores e sementes e Institutos de cosméticos e bancos. Afinal, muito se falou em leitura de Marx, mas ainda não vi nenhuma queixa sobre a negatividade dos efeitos práticos de sua leitura nas universidades. Gostaria de ouvir mais de Pondé, Reinaldo Azevedo e os que os defendem, o porquê Marx anda sendo tão perigoso na educação de nosso jovens.

Desculpem a extensão do texto rs Aguardo respostas dos leitores e, se possível, com suas experiências de leitura de Marx nas escolas públicas brasileiras.

A juíza Daniela Nudeliman Guiguet Leal, da 2ª Vara Cível da Comarca de Barueri, determinou a retirada de qualquer artigo publicado no blog “escolasempartido.org” e também de terceiros, que mencione a professora Cléo Tibiriçá, ou o curso por ela ministrado, sob o pagamento de multa diária de R$ 1000,00, a ser revertido em indenização em favor da professora.

Segundo a decisão judicial, existem indícios de que o coordenador do blog, Miguel Nagib está extrapolando o seu direito de manifestar sua opinião, ao veicular críticas ofensivas à professora.

Segue a decisão judicial na íntegra: decisao_judicial

300x250imil

Entenda o caso:

A disputa entre a professora da Fatec Barueri Cléo Tibiriçá e o articulista do Instituto Millenium e também coordenador do blog “escolasempartido.org”, Miguel Nagib, teve início após a publicação no blog da denúncia de suposta doutrinação ideológica empreendida pela professora.

De acordo com Nagib, a professora promove em suas aulas a “maior aversão possível a tudo o que não se identifique com uma visão esquerdista ou progressista da sociedade, da cultura, da economia e da história”. Para fundamentar sua acusação, Nagib cita os texto utilizados no plano de ensino da professora, como as reportagens da revista CartaCapital e textos do historiador marxista Eric Hobsbawn, do sociólogo da USP Ruy Braga e do economista Fernando Nogueira da Costa. O blog também chegou a reproduzir uma troca de e-mails pessoais entre a professora e seus alunos.

Em sua defesa, a professora Cléo Tibiriçá afirma que “em educação não existe professor que não entre em sala de aula com a sua visão de mundo e não existe instituição de educação em cujo espaço não conviva diferentes visões, tanto na gestão, como nos docentes e nos alunos”.

As denúncias de Nagib geraram grande repercussão na internet. O caso foi noticiado em várias publicações, como a Revista Veja, Carta Capital e Revista Fórum. O Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), publicou uma “moção de repúdio contra perseguição à professora da Fatec”, onde classifica (aliás, muito bem classificado) de campanha “fascista e obscurantista do blog Escola sem partido“. O grupo Independente Fatec-SP também se orgulha de ter sido a primeira publicação a denunciar a cruzada difamatória de Miguel Nagib, e de associá-lo ao Instituto Millenium (entidade de extrema direita, ligada aos grandes conglomerados midiáticos). Vergonhoso porém, foi a atitude covarde do recém fundado DCE Fatec, que se silenciou sobre o caso.

Em recente entrevista à Revista Fórum a professora da Fatec desabafa “Minha vida se tornou um inferno, meu telefone não para de tocar em nenhum momento. Na Fatec, meus alunos tem falado muito sobre isso. Tenho visto meu nome envolvido com acusações das quais não posso me defender. Me chamam de marxista, meu Deus, peço desculpas aos meus amigos marxistas, isso é de uma ignorância tão grande, pois é tão difícil se encontrar um de verdade, e eu não sou. Tenho verdadeiro nojo das pessoas que tem me procurado anonimamente na internet…”.

Miguel Nagib provavelmente irá recorrer da decisão judicial. O fato é que a sociedade brasileira caminha para uma radicalização. Infelizmente, campanhas difamatórias empreendidas por publicações de extrema direita serão cada vez mais frequentes.